01/09/2019 às 18h00min - Atualizada em 01/09/2019 às 18h00min

​Primeiro lagarto geneticamente modificado é criado por cientistas

Cientistas da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiram criar o primeiro lagarto geneticamente modificado, recorrendo à técnica de edição genética CRISPR

Isabelle Miranda - Editado por: Thalia Oliveira
Divulgação
Os cientistas da Universidade da Geórgia, criaram um lagarto geneticamente modificado. Antes, já haviam modificado o DNA de mamíferos, aves, peixes, e anfíbios, mas esta foi a primeira vez que o método foi aplicado em répteis. A técnica utilizada, a CRISPR, consiste numa série de “tesouras moleculares” capazes de inserir, remover, modificar ou substituir partes do DNA do genoma de um organismo vivo. Os cientistas enfrentavam dificuldades com a edição genética em répteis devido à forma como esses se reproduzem que, ao contrário dos outros animais, eles fertilizam seus óvulos em momentos imprevisíveis. Para superar essa limitação, a equipe inseriu algumas modificações ao procedimento.
“Há algum tempo lutamos para encontrar uma forma de modificar genomas de répteis e manipular genes em répteis, mas ficamos presos no modo como a edição de genes está sendo feita nos principais sistemas-modelo”, disse Doug Menke, coautor do artigo que descreveu a pesquisa na revista Cell Press.
A equipe injetou reagentes CRISPR em óvulos não fertilizados dos ovários de lagartos. Quando os ovos eclodiram, aproximadamente metade dos lagartos modificados herdaram genes da mãe e do pai com o DNA alterado. Foi escolhido tornar o animal albino, uma vez que essa é uma mutação não prejudicial à espécie. Além disso, levando em consideração que os humanos com albinismo têm problemas de visão, os cientistas esperam utilizar os lagartos modificados para estudar como é que a perda desse gene afeta o desenvolvimento da retina.
“Humanos e outros primatas têm uma característica no olho chamada fóvea, um depressão na retina que é essencial para a visão de alta intensidade de percepção. A fóvea está ausente na maioria dos sistemas modelo, mas está presente nos lagartos Anolis, dado que eles confiam na visão de alto sentido para atacar insetos”, diz Menke. 
Desde que a técnica entrou em cena, há uma década, a CRISPR tem sido usada para várias aplicações potencialmente revolucionárias: desde a redução da severidade da surdez genética em ratos até a criação controversa de bebês humanos imunes ao HIV. Menke argumentou que era essencial expandir o escopo dos animais nos quais a técnica poderia ser aplicada. “Cada espécie, sem dúvida, tem algo a nos dizer, se dedicarmos algum tempo para desenvolver os métodos para realizar a edição de genes”, disse.

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