24/11/2019 às 22h23min - Atualizada em 24/11/2019 às 22h23min

Salvador implanta medidas para redução da poluição atmosférica

O C40 é um grupo de 40 cidades com população acima de três milhões de habitantes de todo o mundo, que assumem o compromisso de terem o status de ‘zero carbono’ até 2049. Salvador é uma dessas cidades

Caio Costa - Edit por Thalia Oliveira
Capital baiana conta com estação de monitoramento do ar na Avenida ACM. Foto: Reprodução
Com a cada vez maior a emissão de gases poluentes nas grandes metrópoles mundiais, não é difícil imaginar o impacto negativo causado pela poluição atmosférica na saúde coletiva. Atento às mudanças climáticas, o C40 é um grupo de 40 cidades com população acima de três milhões de habitantes de todo o mundo, que assumem o compromisso de terem o status de ‘zero carbono’ até 2049, em ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas. Salvador é umas das quatro metrópoles brasileiras no grupo. 
                                      
Segundo estudo “Saúde Brasil 2018” divulgado pelo Ministério da Saúde em junho, o número de mortes classificadas como decorrentes da poluição do ar no Brasil aumentaram 14% em dez anos, foram de 38.782 em 2006 para 44.228 mortes em 2016. Na Bahia, apesar da redução nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 122 casos foram notificados no primeiro quadrimestre de 2019. Infecções com vírus como Parainfluenza (1 e 3), adenovírus, metapneumovírus e vírus sincicial respiratório, potencializados pelo ar poluído, também foram notificados.
 
Em atuação na preservação do meio ambiente e sustentabilidade, a prefeitura de Salvador desenvolveu um conjunto de práticas que renderam prêmios pela preservação do meio ambiente e inovação urbana a capital como o Prêmio de Inovação Urbana de Guangzhou, na China, no final do ano passado, além do nacional Hugo Werneck este ano pelo projeto “Salvador Capital da Mata Atlântica”, como conta o secretário André Fraga, na frente da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis) da capital baiana. 
 
Uma dessas práticas foi a substituição parcial da frota de ônibus da capital, substituindo veículos do padrão Euro 2 para o padrão Euro 6, que emitem menor taxas de gases poluentes baseado no ranking europeu de poluição. “Trocamos 800 ônibus da frota que estavam no padrão Euro 2 para os de padrão Euro 6. Com os dados de qualidade do ar da cidade, constatamos que essa medida preveniu uma média de dez mortes por ano na capital provenientes a poluição do ar”, diz o secretário. 
 

André Fraga aponta a importância da redução de emissão de gases poluentes pela frota do ônibus para a saúde da população. Foto: Divulgação

A política pública foi implantada após dados obtidos por um estudo realizado no Centro de Pesquisa Fiocruz Bahia em parceria com o governo local. “O próximo passo é a substituição total da matriz energética da frota até o ano que vem e, a partir daí, estudar a possibilidade da eletromobilidade, que eliminaria totalmente a emissão de gases”, completa. 
 
Contudo, as ações ainda não cobrem todas as frentes de poluição do ar na cidade como, por exemplo, a poluição causada pelos trios elétricos durante o carnaval. Ao ser questionado, André afirmou que enquanto medidas mais concretas não são implementadas, biodiesel, combustível renovável, é utilizado em parte dos trios.
 
Os principais fatores que ligados a mortes causadas pela poluição do ar estão ligadas a inalação dos gases e à exposição à partículas finas que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, podendo causar acidentes doenças cardíacas, vasculares cerebrais, câncer de pulmão e infecções respiratórias, que inclui pneumonia.
 
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »