09/12/2019 às 20h34min - Atualizada em 09/12/2019 às 20h34min

Não quero ser mãe

Núbia Umbelino
Imagem: Carol Rossetti
"Como assim você não pretender ter filhos?" Essa é umas das perguntas que fazem quando a mulher diz que não tem a vontade de ser mãe. Colocam como estereótipo o sonho da maternidade, mesmo que muitas sentem vontade, não são todas que gostam de crianças e sonham em ter filhos. Muitas das vezes quando essa não vontade é expressada por nós, em pleno século XX, somos julgadas com olhares de espanto e indignação. Nascer, crescer. reproduzir e morrer, assim ensinam os livros de ciências.

Somos capazes de fazer escolhas profissionais, amorosas e tantas outras. É por meio da nossa habilidade de planejar e escolher que conseguimos organizar nossa vida, estabelecer metas, objetivos e traçar caminhos para alcançá-los. 
Os homens utilizam esse privilégio humano há séculos, mas às mulheres, infelizmente, apenas recentemente foi dado a oportunidade de planejar e fazer escolhas de acordo com sua vontade. Ainda assim, existe o machismo que impede muitas de escolher o que querem, e, ainda, sofrem algum tipo de repressão. Até bem pouco tempo atrás, a mulher quase sempre tinha apenas um caminho a seguir, traçado antes mesmo dela nascer: casar-se, ter filhos e cuidar da família. Poucas fugiam desse destino.
 
Não são todas as mulheres que querem ser mãe. O instinto materno é algo que podemos escolher.
 
A sociedade mudou e a mulher hoje pode, em princípio, comandar a própria vida. Mesmo que ainda sejam poucas as que assumem o papel ativo diante da vida e bancam suas escolhas, não há mais um único caminho destinado a ela. A maternidade, pode ser compensadora, porém, não aparenta ser fácil. Exige, entre muitas outras coisas, dedicação e abdicação da própria independência, nem toda mulher está preparada ou deseja encarar a tarefa. O mundo moderno oferece tantas oportunidades, que a vontade de ter filhos pode ser postergada e abandonada. Nas culturas latinas, o homem não costuma ajudar muito nas tarefas, o que acaba sobrecarregando a mulher. Ter filho pode ser maravilhoso, mas verdade seja dita, quem os tem nunca mais será completamente livre. E abrir mão da independência, portanto deve ser uma escolha, não uma imposição. Há mulheres que se realizam sendo mães, outras encaram a maternidade como parte da vida, uma de suas facetas. E há, ainda, um terceiro grupo que simplesmente não deseja viver a maternidade. E de maneira alguma existe problema nisso, desde que a mulher se sinta bem com sua escolha. A vida pode ser muito boa sem a presença de fraldas, mamadeiras e mordedores. Basta abrir-se para essa possibilidade.
 
Encarar que você não terá filhos pode ser bem difícil. A cobrança é grande, não serão poucos os que a olharão com piedade, quase como se você padecesse de uma doença. Muitos a considerarão egoísta, pois ainda não querem aceitar que a mulher possa não pretender dedicar-se incondicionalmente a outra pessoa e optar pela independência.
 
Não é verdade que a mulher só encontrará a felicidade e a plenitude na maternidade, essa premissa só serve para gerar culpa nas mulheres que não se sentem assim ao se tornarem mães. A felicidade não está nos outros, sejam eles filhos ou parceiros amorosos. O mais importante é que a mulher escolha quando e se quer filhos, sem se sentir pressionada e obrigada a isto. Ela só poderá fazer essa opção se pensar em si, na vida que deseja levar. Portanto, é preciso acabar com a ideia de que a mulher é apenas um veículo que serve para trazer vida ao planeta e cuidar dos outros de modo incondicional.

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