19/04/2019 às 11h34min - Atualizada em 19/04/2019 às 11h34min

A parte da história que esquecem, ou não querem, contar

Amanda Ketlyn
Foto: Amanda Ketlyn

Em meio a tantas crianças, uma em especial chama atenção. Maria não tem mais que 10 anos, os olhos tristes e é apenas uma menina que não se acha digna fazer a representação de uma rainha em uma peça. Ela, que quando chega nos lugares é olhada com desdém, é a mesma criança que vem com um abraço acolhedor e que faz seus olhos marejarem de tanta tristeza por não poder pegá-la no colo e falar pra ela esquecer quem a tratou inferior a uma rainha, porque ela merece mais, ela merece o mundo. Maria não é igual a maioria, ela é diferente e isso que a torna tão especial. 

Exposição à violência, tráfico de drogas, deficiência na saúde/educação, trabalho infantil e gravidez na adolescência. Esses entre tantos problemas são vivenciados por pessoas que são vítimas da invisibilidade social e tem seus problemas despercebidos pela sociedade.  Resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2011) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontaram que 16 milhões de pessoas vivem em pobreza extrema e geralmente elas são mais evidentes nos bairros periféricos - distantes, desprovidos de transporte e serviços públicos. Pensando em crianças que vivem em meio a essa realidade e querendo mudar esse cenário, existem projetos sociais que acolhem a população jovem e lhes-dá oportunidade de enxergar além do que são acostumados a ver. 

Projetos sociais partem do pressuposto de querer mudança. Muitas comunidades não conseguem se adequar a uma vida com tanta desigualdade social e tentam de alguma forma ajudar as pessoas que sofrem dessa prática. Na cidade de Juazeirinho, no interior da Paraíba, o projeto “Bom Samaritano” criado pela igreja católica local, tem como objetivo acolher jovens carentes e em situação de risco social.

Olhares curiosos, agitação e sorrisos tímidos, tudo isso seguido de cartinhas e abraços cheios de ternura. É assim que você é recebido no Bom Samaritano por crianças que são menosprezadas/julgadas a cada esquina, que teriam tudo para serem violentas e rudes, e ainda assim, conseguem ter mais amor e empatia do que a maioria das pessoas. Crianças como Maria, a garotinha que citei no começo deste texto, deixaram de ser exceção e acabaram se tornando regra e vítimas de uma sociedade desigual, injusta e preconceituosa. Que diminui crianças com um enorme potencial, fazendo com que elas acreditem que são inferiores e que não merecem mais do que se tem (que já é pouco ou quase nada).

Passar um minuto, uma hora ou uma manhã com essas crianças é revigorante e acaba trazendo emoções e um lado verdadeiramente humano que na correria diária a gente até esquece que existe. Ver o quanto os voluntários (sim, voluntários que dedicam seu dia e energia aquelas crianças) se entregam e se sentem realizados quando escutam um simples “Tia, passei naquela prova difícil” é algo que não tem preço. Vai além de um simples trabalho é uma troca de afetos que acabou transformando-os em uma grande família.

 

Editado por Leonardo Benedito.


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