05/08/2020 às 23h48min - Atualizada em 05/08/2020 às 23h36min

A epidemia oculta: dívidas e saúde mental

Em abril, o porcentual de famílias endividadas chegou a 66,6%, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Já a ansiedade atinge cerca de 70% dos jovens em isolamento.

Isadora Lassi - Editado por Camilla Soares
Divulgação: Previva
Com a chegada do isolamento, muitas famílias acabam por perder suas fontes de renda, gerando problemas financeiros e psicológicos. No âmbito econômico, a inadimplência é um dos resultados, uma vez que a renda não é suficiente para sanar os gastos. Aliado a isso, está a ansiedade que atinge quase 70% dos jovens entre 18 e 29 anos durante a pandemia.

A principal causa das dívidas continua sendo o cartão de crédito com 76,7%. “A inadimplência estava em 3,6% em fevereiro e em abril chegou a 4%, isso dificulta o acesso ao crédito para pessoas físicas”, afirma Fernando Rocha, chefe de estatística do Banco Central. Isso se dá por muitos fatores, perda de emprego, redução da jornada, salários e também por estarmos em um período de crise.

Os casos de depressão praticamente dobraram e os de ansiedade e estresse aumentaram quase 80%, atingindo em sua grande maioria mulheres. Muitos fatores influenciam o agravamento desses casos como, má alimentação, sedentarismo ou doenças preexistentes.

A estudante de psicologia Maria Eduarda Monfardini, afirma que esses distúrbios geram diversos gatilhos, um deles é o ato de comprar por impulsão. Em situações de isolamento social, essas condições se agravam e geram o endividamento do indivíduo.

“Ficar sem o tratamento psicoterapêutico pode agravar o caso e é necessária a aceitação do indivíduo acerca de seu quadro, bem como o entendimento de que as pessoas a sua volta estão dispostas a ajuda e não a punição, é importante lembrar que cada pessoa em cada contexto social irá vivenciar a situação de formas diferentes. Há pessoas que terão como se cuidar, mas há quem precise enfrentar mais riscos que o normal, principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirma a estudante e reforça que deve-se procurar atendimento adequado, online ou presencial.
 
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