07/08/2020 às 12h09min - Atualizada em 07/08/2020 às 11h45min

Os impactos da pandemia na educação

Veja o que alunos e professores acham sobre o ensino online

Brenda Guerra - Revisado por Renata Rodrigues
Unsplash.com
O viver em quarentena tem afetado as pessoas de diversas maneiras e trazido mudanças. No universo da educação não seria diferente, com a necessidade do distanciamento social, escolas e universidades pararam temporariamente de dar aulas ou migraram seus serviços para o online.

A falta do ensino presencial trouxe pontos negativos, mas também alguns positivos, tanto para os alunos quanto para os professores.

A estudante de medicina Laíne Rocha conta que ter aula online na faculdade foi uma experiência difícil para ela, pois prestar atenção a uma tela em horário integral foi praticamente impossível. “Estudar em casa é desafiador, afinal, estamos acostumados a associar ambientes a ações (a faculdade é para ver aula, a academia para treinar, a biblioteca para estudar) e nos ver restritos ao espaço de nossas casas traz uma grande dificuldade em separar o tempo e manter todas as atividades, além da questão dos familiares que constantemente são motivo de barulho e distração”.

Laíne conta que o semestre que passou foi repleto de incertezas e difíceis adaptações. Além da faculdade, a jovem tem participado de diversos simpósios e congressos online e, no que diz respeito a esses cursos de curta duração, o aproveitamento dos assuntos tem sido bom. No entanto, a estudante continua a preferir o ensino presencial.

Para o professor de inglês Davi Acioli, que já dava aulas online antes da pandemia, a novidade é que agora todos os alunos estão assistindo aula nessa modalidade, pois não está sendo ministrada nenhuma aula presencial. “Novas ferramentas foram disponibilizadas e tá sendo bacana, está tendo uma resposta muito positiva por parte dos alunos. Não tive dificuldade para me adaptar”, afirma.

Davi, que também ensina na escola Unilínguas ressalta que, com as aulas online, na logística social os alunos não precisam enfrentar as situações do cotidiano, como andar em um ônibus lotado, descer do ônibus e ter o perigo de ser assaltado. Além disso, economizar tempo e dinheiro por não ter que se deslocar, são alguns dos pontos positivos do ensino a distância.

Os pontos negativos variam de acordo com a faixa etária dos alunos. Na educação infantil, por exemplo, o professor de inglês acha que o ensino online está sendo negativo, pois é preciso um contato olho a olho e a interação das crianças entre si, um afeto maior, o abraço, coisas que não são possíveis através do meio virtual.

Com os adolescentes, Davi também está achando prejudicial, pois muitos deles conseguem “matar aula” fingindo estar online: “enquanto os pais estão trabalhando e os filhos estudando não existe uma fiscalização, e quando os adolescentes estão em sala (presencialmente) eu posso fiscalizar porque eu estou ali na frente, posso pedir o exercício e cobrar. A forma de abordagem com os adolescentes é a pior, eles conseguem dissimular e fingir estar tendo aula, enquanto, mesmo com câmera, as vezes eles estão em outro equipamento tecnológico”.

Já com os adultos, o ensino online está dando certo. Davi conta que a maioria deles gostou, aprovou e quer permanecer, devido a flexibilização em relação ao fator trânsito, horário e poder fazer a aula de qualquer lugar.

“Vai depender muito da didática e da metodologia do professor, tem professores que não vão atender as expectativas dos alunos e outros que vão conseguir se inovar e atender essas expectativas.”, conta Davi.

Ao ser perguntado sobre como acha que será o ensino após a pandemia, Davi respondeu que “houve uma necessidade de desenvolvimento tecnológico, então acho que a gente vai ter mais professores com uma capacidade maior de criatividade, inovação, tudo isso. Então eu acho que as mudanças são benéficas.”
 
Online versus presencial

“A tecnologia é muito interessante, ela ativa e faz com que a gente tenha acesso a muito mais informação, mas em diferentes faixas etárias, eu estudo muito sobre Steiner e Waldorf, que são duas abordagens mais naturais, em que a forma de desenvolvimento cognitivo tanto da criança quanto do adolescente é interacional. Então eu acho que eu realmente prefiro dar aula presencial”, afirma Davi Acioli. Nas aulas presenciais é possível ter uma interação maior com os alunos e um movimento entre eles, e isso é muito importante, principalmente no infantil.


 
Valná Dantas, professora de publicidade e propaganda no Centro Universitário Tiradentes (UNIT), conta que sua experiência de ensinar online está sendo maravilhosa e que a pontualidade dos estudantes e assiduidade é maior. No entanto, com a pandemia, o número de alunos diminuiu, tendo em vista que nem todos se adaptaram.

O acadêmico de Publicidade Cleyton Júnior, está no último ano do curso e conta que “por serem os últimos períodos não tivemos perdas ou pontos negativos, já que não necessitamos de oficinas, mas acredito que os períodos anteriores se prejudicaram com a falta”.

O conteúdo das disciplinas ministradas por Valná, que além de docente é especialista em marketing, não sofrem grandes prejuízos sendo ensinados 100% online. “Eu acho que o ensino depois da pandemia nunca mais voltará a ser o mesmo, porque nós descobrimos a força nessa potência do online, e vamos utilizar mais essas ferramentas. Mas acho que não conseguiremos substituir 100%, sobretudo em locais e estados como o nosso (Alagoas) em que há muitos alunos do interior ou de classes sociais mais baixas, que não têm acesso a determinadas tecnologias, um bom sinal de internet ou computador. E, inclusive, a faculdade poderia disponibilizar salas com computadores pra quem não tem condições de estudar e fazer as coisas em casa, por exemplo, e ir assistir lá, acho que isso já acontece em algumas escolas que são EAD”, afirma.

Atualmente, a professora gosta mais de dar aula online pela liberdade geográfica e economia de tempo. “Não pegar trânsito, não gastar combustível e ficar meia hora indo e meia hora voltando pra dar duas horas de aula. Então, facilita muito além de poder nos intervalos das aulas estar com meu filho, estar em casa no meu conforto, na segurança”.

A quarentena atingiu cada pessoa de uma forma diferente e mudou completamente o modo de ensino com o qual estávamos habituados. Talvez depois da pandemia haja um mix entre o online e o offline. Por enquanto, o que sabemos é que nada será mais o mesmo, mas as transformações que o ensino viverá serão positivas e inovadoras.
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