27/04/2019 às 13h27min - Atualizada em 27/04/2019 às 13h27min

Crise na Comlurb

A Justiça do Trabalho carioca determina que o sindicato mantenha um continente efetivo de mínimo 60%

Eva Oliveira - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: CBN/Reprodução
 
Presente em todos os lugares do país, a violência se faz recorrente em sua  grande maioria na cidade do Rio de Janeiro. A todo instante assistimos na TV, lemos na internet e nos jornais, como parte da rotina do carioca, esse dia a dia tenso, vivido principalmente pela população das comunidades e morros dominados pelo tráfico.Tarefas simples como, sair para o trabalho ou levar as crianças para a escola, acabam se transformando num ato de coragem. 
 
Algumas profissões ao longo dos anos sentiram de perto essa truculência. Diante da dificuldade em entrar nas favelas em decorrência do tráfico, a Prefeitura criou junto a Associação de Moradores do complexo do Alemão o projeto “Gari Comunitário”, que há mais de 25 anos faz a coleta de lixo dentro das 11 comunidades espalhadas pela cidade, e o que era para ser mais um dia de trabalho se tornou caso de polícia na última segunda-feira (22). A morte do gari comunitário William Mendonça, 41 anos, no Morro do Vidigal, gerou uma onda de protestos. Moradores do local em que o gari foi morto, fecharam a Avenida Niemeyer, na entrada da comunidade, alegando que houve manipulação da cena do crime, enquanto a Polícia Militar afirma ter encontrado o homem já morto. A família nega.
 
Paralelamente, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB), vem enfrentando uma série de problemas. Sem chegar a um acordo sobre o reajuste de salário, os trabalhadores fizeram uma paralisação de 24h na última segunda-feira (22), mostrando a insatisfação e reivindicando melhores condições de trabalho.
 
João Lopes, 35 anos, funcionário da empresa há mais de 11 anos, denuncia as condições precárias de trabalho "A empresa não nos dá nenhum suporte, improvisamos o material de trabalho, ferramentas quebradas, inúmeras vezes os próprios moradores nos emprestam. Eles querem o serviço pronto, não importando como será feito. Nós não temos nem copos para beber água, não nos dão papel higiênico, banheiros em péssimas condições. Ratos e pombos fazem ninhos na gerência”, relata.

Ainda segundo João, um dos maiores inimigos dos funcionários é o próprio sindicato “Ele foi contra a decisão dos trabalhadores de continuar com a greve, afirmando à imprensa o falso desejo de negociação da classe”, conta.
 
 Entenda como andam as negociações
 
Aumento de salário, adicional de insalubridade e melhores condições de trabalho, são algumas das reivindicações da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB), do Rio de Janeiro que iniciou um movimento de greve na quinta feira (18). Prefeitura, trabalhadores e sindicato estão em negociação, mas até agora sem sucesso.
 
  • Sem chegar a um acordo sobre o reajuste, o movimento grevista decidiu na quinta feira (18) iniciar a greve e fez uma paralisação na segunda (22), pleiteando um reajuste de 10% nos salários, o adicional de insalubridade também para os agentes de preparo de alimentos, vigias e auxiliares de serviços gerais;
 
  • A Justiça do Trabalho carioca determina que o sindicato mantenha um continente efetivo de mínimo 60%, aproximadamente 9 mil trabalhadores na rua; sob multa de 60 mil reais se houver descumprimento da decisão;
 
  • Após nova assembleia, na última quinta feira (25), os grevistas recusaram o reajuste de apenas 4% e resolveram manter a paralisação;
 
  • Garis iniciaram a meia noite de sexta-feira (26)  uma nova greve, que foi suspensa à tarde após nova negociação com o TRT.
 
Na manhã desta sexta (26), foi possível perceber sacos de lixo espalhados por diversos pontos da cidade. Antes da suspensão do movimento, a Comlurb informou que apenas 20% dos funcionários estavam paralizados. Muitos trabalhadores que foram para as ruas nesta sexta-feira foram vistos com o uniforme incompleto.
 
Nós tentamos contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SECONSERVA), mas não obtivemos retorno. Questionada sobre o andamento das negociações, a Comlurb e o sindicato não quiseram comentar.  

Editora-chefe: Lavínia Carvalho
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