11/09/2020 às 18h24min - Atualizada em 11/09/2020 às 18h06min

Superlotação das praias no último fim de semana pode aumentar significativamente o número de contaminados por covid-19, diz especialista

Professor da USP diz que as consequências da superlotação serão percebidas depois de passados 14 dias do ocorrido.

Lucas Mathias - Editado por Caroline Gonçalves
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
No último fim de semana, com o feriado prolongado de sete de Setembro, as praias de todo o Brasil ficaram lotadas. Em especial, a superlotação das praias da cidade maravilhosa chamou atenção de pessoas do mundo todo. Apesar da prefeitura da cidade restringir a permanência de banhistas na areia, esta ação foi desrespeitada.

Porém, não foram apenas as praias da capital fluminense que reuniram muitas pessoas. As cidades da costa verde do estado, como Angra dos Reis e Paraty, e da região dos lagos, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, também foram alvas de aglomeração.




Em entrevista a Rádio Cultura, o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina Neto, disse que passados 14 dias após o acontecido, as consequências da superlotação serão visíveis. Ou seja, por volta do dia 21 de setembro saberemos como estará a situação da pandemia no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, onde a aglomeração de pessoas foi perceptível em quase todas as praias da cidade. Gonzalo explicou também que a situação pandêmica no Brasil é pior do que parece.
“Nós não temos 4 milhões de casos, temos 1/3 a mais, com certeza já estamos perto dos 6 milhões, por causa da subnotificação de casos novos”, esclareceu.

Segundo Kesya Lima, que afirmou ter ido à praia em Angra dos Reis no último final de semana, o local estava lotado e o distanciamento era quase imperceptível devido à alta concentração de pessoas.
“Quando cheguei lá, percebi que não estava muito seguro. Estava lotado e o distanciamento era difícil, pois tinham muitas pessoas”, disse.

Kesya ponderou que tomou os cuidados necessários, como o uso de máscaras e álcool em gel, além de não ficar muito tempo no local. Mesmo tendo ido à praia, ela acredita que os casos de contaminação irão aumentar - “Acredito que tripliquem”. Questionada se retornaria à praia em meio à pandemia, Kesya disse que sim, mas que iria a uma mais deserta.

Já Ludmilla Albuquerque, estudante e moradora de Volta Redonda-RJ, argumentou que as pessoas que foram às praias com superlotação podem colocar a vida de outras pessoas em risco.
“Quem foi à praia, provavelmente não irão se isolar, podendo assim contaminar outras pessoas ao seu redor”, comentou.

A estudante disse ainda que as prefeituras das cidades litorâneas deveriam impedir o acesso às praias, pois com o aumento das temperaturas, as pessoas irão buscar o local com maior frequência, mesmo em tempos de pandemia.
“Acho que deveriam impedir o acesso, ou aumentar as restrições”, declarou.

Em nota divulgada no último fim de semana, a prefeitura do Rio de Janeiro apelou para que a população se proteja quando estiver nas ruas.
“Quem vai às ruas em condições inadequadas e descumprindo as regras sanitárias, pode não só contrair a doença, mas também contaminar outras pessoas, incluindo seus familiares em casa”, disse a nota.

Infelizmente, as expectativas são de que os números de casos aumentem nos próximos dias, apesar do número está em queda pelo 9º dia seguido. O boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) no dia 11 (sexta-feira) apontou 240.453 casos confirmados de covid-19, 16.883 óbitos e 217.965 recuperados da doença. A média móvel de mortes do estado mostra uma queda de 44% em comparação com as últimas duas semanas. Já a média móvel de casos fechou em queda de 36%.
 
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