30/12/2020 às 21h17min - Atualizada em 30/12/2020 às 21h10min

Transição capilar é vista como liberdade de escolha e aceitação das mulheres

O processo começa a partir da decisão e não têm prazo para finalizar

Laís Rodrigues - Editado por Larissa Barros
Reprodução / Instagram / @Maisa

Há algum tempo, a transição capilar, procedimento que consiste em deixar qualquer tipo de química que alisa os fios e dar lugar aos naturais, tornou-se algo mais notável entre as mulheres. Atualmente, ele significa mais do que parar a progressiva, relaxamento ou qualquer outro produto químico. É como um grito de liberdade contra os padrões de beleza impostos anos atrás e que têm consequências nos dias atuais. 

Alguns padrões criaram a ideia de que cabelos cacheados não eram bonitos e que por isso era necessário utilizar maneiras como o alisamento químico, para conseguir, dessa forma, se “encaixar em grupos e ser mais aceita”.

Com o aumento da aceitação dos fios naturais, é possível notar a presença de mulheres que aparecem em comerciais de TV, filmes e séries sem qualquer tipo de química nos cabelos para se adequar a um padrão exigido por determinada empresa. 

Em 2001, o lançamento do filme ‘O Diário da Princesa’ mostra a transformação da protagonista Mia Thermopolis, vivida pela atriz Anne Hathaway, para ficar de acordo com os padrões da nobreza. Para que isso ocorra ela tem o cabelo, antes natural, alisado. Por mais que as atitudes mostradas no longametragem voltado para o público jovem possa parecer inofensivo e sem uma intenção clara, a mensagem passada é de que se você tinha cabelo cacheado não cumpria uma das exigências para ser uma princesa. 

A transição capilar começou a ganhar força a cerca de oito anos atrás, quando as blogueiras e youtubers aumentaram a visibilidade para esse tema e passaram a dar dicas de cabelo cacheado, incentivando as meninas a passarem por esse procedimento com as informações necessárias. 

Rayza Nicácio, 28 anos, é youtuber há oito anos e dá dicas para mulheres que estão passando pela fase de transição ou pensando em seguir esse caminho. Quando começou a fazer vídeos já havia passado por esse procedimento, por isso, uma das suas primeiras publicações no canal foi sobre os cuidados que tinha com o cabelo cacheado.

De acordo com Rayza, fazer a transição capilar não significa que nunca mais vai poder alisar os fios. Pelo contrário, a transição é sobre ter liberdade. Te libertar de uma obrigação e dar a opção, inclusive, de voltar a alisar frequentemente caso não goste dos cachos. 

“ A maioria das pessoas com quem você conversar que já passaram por transição, vão dizer que não é fácil mas que vale a pena. “ disse a youtuber em seu vídeo “10 motivos para não desistir da transição”.


Atualmente, ela está passando pela transição novamente por conta do uso de calor, chapinha e secador, os cachos perderam o formato. 

O processo começa na decisão e não têm prazo para finalizar, variando para cada pessoa, do tipo de química e do período de tempo em que utilizou esses produtos. Pois, os fios ficam mais frágeis e por isso, é necessário focar na recuperação. Assim, ele cresce mais rápido e mais forte. 

Para a estudante de jornalismo, Jéssica Marques, 22 anos, a quarentena ajudou bastante no seu processo de aceitação. “De auto estima principalmente com a questão de conseguir seguir a ordem do cronograma capilar”, afirma. 

No começo, o cabelo fica com duas texturas e quanto a isso, as opções são: texturizar as partes ainda lisas, box braids ou o temido Big Chop, que consiste em cortar toda a parte lisa do cabelo e deixar crescer somente o natural. A decisão do Big Chip deve ser pensada, por ser um choque ao cortar muitas vezes, curto e diferente da visão que pode estar acostumada. 

Uma das coisas que a transição capilar mexe é a autoestima, principalmente quando o cabelo natural começa a crescer ainda sem forma e com fios que receberam química. No entanto, o reflexo que vemos no espelho e o modo como tratamos isso internamente podem pesar conforme o tempo e trazer ainda mais certeza para a decisão de fazer o procedimento. 










 

 
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