13/02/2021 às 18h46min - Atualizada em 13/02/2021 às 17h58min

Projeto social cristão atua em áreas carentes durante a pandemia

Em meio ao isolamento social, jovens se unem para ajudar o próximo

Alexia Catherine - Editado por Ana Paula Cardoso
Arquivo pessoal Te Vejo na Rua
A população mundial está imersa na desigualdade social. Segundo o Jornal O Globo, um levantamento realizado pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), de Davos, na Suíça informa que a diferença entre o salário de um executivo e um trabalhador mediano cresceu 970% nas últimas quatro décadas. Em meio a esse cenário, cada indivíduo define suas ações. Na busca pela diminuição da disparidade econômica, os projetos sociais entram em cena nas comunidades.
 
Em 2015, jovens cristãos moradores do Capão Redondo, bairro do extremo sul de São Paulo, saíram às ruas para interceder pelos seus vizinhos, originando o atual Te Vejo na Rua, nome que transparece seu objetivo: Resgatar pessoas em situação de carência e encaminhar para casas de reabilitação.

“Nos reunimos a cada 15 dias com cerca de 30 voluntários. Formamos 3 equipes direcionadas a bairros distintos: Valo Velho, Campo Limpo e Capão redondo. Cada grupo é acompanhado por um carro para transportar os kits de higiene e alimentação”, informa Oldac Carvalho, membro da liderança do projeto, em entrevista ao site do Lab Dicas Jornalismo.

Ele conta sobre a composição dos kits e o que ocorre durante a ação. “Todos os itens são adquiridos através de doações. No kit de higiene entregamos escova de dente, sabonete e creme dental. Já na parte de alimentação, uma maçã, suco, água e a marmita, além de cobertores, roupas e ração para animais abandonados”.

O foco é atender as necessidades básicas dos moradores de rua, oferecendo acolhimento e a esperança do evangelho de Cristo, gerando nova oportunidade de vida.



Fazer o bem ao próximo é benéfico para si mesmo

Clínicas parceiras recepcionam os moradores com entrevistas e testagem da Covid – 19. A internação é entre o período de seis meses a um ano. Para o processo, é solicitado documento com foto e telefone. Porém, a maioria deles já perderam suas identidades e não possuem mais contato com a família. 

 
“Em 2017, um grupo de 300 voluntários se revezava em diversas ações em frente a estação de Metrô Capão Redondo. Inesperadamente, um jovem se aproximou e pediu ajuda para sair da rua, levei ele para minha casa, pois não tínhamos onde o deixar, ele não tinha contato com a família. É nesse momento que deixa de ser apenas uma pessoa em situação de rua e se torna alguém importante para você, destacou.
 
Para Carvalho, os maiores beneficiados pelo projeto não são os pacientes, mas sim os voluntários. “Muitos jovens transformaram suas vidas ao iniciar no Te Vejo na Rua. O que fazemos é uma missão, quando entendemos isso somos renovados antes de renovar alguém, a benção acontece para os que servem e são servidos.”

De acordo com o portal sbcoaching, um estudo do Dr. Martin Seligman constatou que fazer o bem nos deixa mais felizes e a positividade dura mais tempo quando estamos inseridos em ações que nos tiram da zona de conforto, e paralelamente aumentam nosso censo de contribuição.



Impacto do projeto na comunidade e adaptação na pandemia

 
Em seis anos de projeto, cinco pessoas em situação de rua aceitaram a internação. A meta para 2021 é resgatar dois por mês, totalizando vinte e quatro ao fim do ano.

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus e a instalação do isolamento social, foram necessários alguns ajustes. “Como não podíamos aglomerar, tivemos a ideia de ajudar de outra forma, a maioria das pessoas ficaram desempregadas nesse período e precisavam de comida. Então, pesquisamos preços de cestas básicas e criamos campanhas de doações para receber alimentos.”, explicou.

O número de voluntários durante a pandemia permaneceu de trinta a quarenta, sendo necessário confirmar presença na listagem para evitar excesso de pessoas. Através do Te Vejo na Rua milhares de vidas foram transformadas, entretanto, ainda existem outras à procura de esperança. O alvo é ultrapassar as barreiras e servir de exemplo para que surjam mais projetos com o mesmo intuito e transformar histórias.


 
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