20/02/2021 às 16h29min - Atualizada em 20/02/2021 às 15h09min

Mulheres na zero: Buzz Cut como forma de empoderamento feminino

Além do estilo, o poder da mulher exaltado com o cabelo raspado feminino

Maria Fernanda Melo - Editado por Larissa Barros
Maria Fernanda Melo

Por anos as mulheres estiveram acorrentadas ao estereótipo do cabelo longo, como se ser feminina só fosse possível quando os fios estivessem tal como os da Rapunzel. Entretanto, o cenário tem se alterado após o surgimento de movimentos vindos de hashtags como Girls with shaved head e Buzz Cut Girl, com mais de 260 e 70 mil publicações no Instagram, respectivamente. Sem ser acompanhado por feminino ou masculino, o cabelo raspado agora é um corte. 

 

O filme Felicidade por um fio (2018), disponível na plataforma de streaming Netflix, é um ótimo exemplo sobre o empoderamento do buzz cut. Após anos tendo que enfrentar químicas e mais químicas para manter o cabelo, antes crespo, em um padrão considerado aceitável de antiga sociedade, sente-se livre somente depois de uma noite alcoólica que a levou a raspar seus fios.


Para Caroline Vilariça, 24 anos, influenciadora digital e participante ativa do movimento, é interessante ressaltar que as mulheres adeptas ao movimento têm cabelo raspado por escolha e gosto, e que não há problema, e não é errado gostar de cabelo raspado por ser mulher. "Cabelo cresce. Quero transformar esse corte numa atitude tão normal quanto optar por qualquer outro corte de cabelo", disse. 



Sobre os preconceitos e inseguranças, Caroline conta que nunca sentiu-se insegura com o cabelo raspado, "até começar a ouvir opiniões não solicitadas". Como todo ser humano, ela também já precisou lidar com esses preconceitos, mas, hoje com um bom filtro e determinada a ser dona da própria vida, ela  afirma não se importar mais. Além disso, ela explica como lida com comentários do tipo:
 

"Penso sempre que não preciso agradar as pessoas com minha aparência. Se meu jeito e valores não são necessários, então essa pessoa não é necessária na minha vida. Bloqueio todo discurso de ódio que não agrega pra mim. Minha saúde e felicidade dependem disso!"

É fato, ainda, que as polêmicas relacionadas ao cabelo feminino são um problema há tempos. Por décadas, o cabelo curto também poderia ser definido como corte “joãozinho”, termo que, hoje, já é um tanto ultrapassado. Por que definir como masculino um corte feito no público feminino? Como uma resolução do problema, o termo pixie tem funcionado melhor, além de englobar ambos os públicos. 

 

Além de elevar o empoderamento, a autoestima e a confiança das mulheres, o buzz cut também traz à tona um tema sensível: as mulheres que precisam raspar seu cabelo devido aos problemas de saúde. A novela Laços de Família, que está sendo reprisada pela TV Globo, conta a história de Camila (Carolina Dieckmann), uma jovem estudante que ao enfrentar as quimioterapias em um tratamento de câncer, precisa raspar os fios.
 

   
Mesmo sendo uma novela dos anos 2000, a temática continua em alta: se por necessidade ou por querer, até quando as mulheres terão que se justificar sobre o corte que estão aderindo? Até quando o comprimento dos fios estará relacionado a ser feminina ou não? O buzz cut feminino vem justamente para quebrar esses paradigmas. Como pontua Caroline, trata-se de "um corte de cabelo."

 

 

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