05/03/2021 às 16h00min - Atualizada em 05/03/2021 às 15h04min

Após 10 anos de período democrático, Mianmar volta a sofrer golpe militar e população protesta

Em 1º de fevereiro, militares tomaram o poder e manifestantes se espalham por todo o país

Emily Guimarães Carvalho - Editado por Ana Paula Cardoso
Foto: STRINGER / REUTERS Reprodução: O Globo
 
Após quase 10 anos de período democrático, em 1º de fevereiro, Mianmar sofreu um novo golpe de Estado. O exército alegou que houveram “enormes irregularidades” nas eleições de novembro. Na ocasião, a Liga Nacional pela Democracia ganhou 395 das 476 cadeiras do parlamento. Desde então, o país tem sido palco de protestos.

Entenda o atual cenário:
 
Mianmar (antiga Birmânia) é um país localizado no sudoeste Asiático. O país só se tornou independente em 1948, e logo em 1962 sofreu seu primeiro golpe militar. Depois de quase 50 anos em ditadura, a população começou a se mostrar insatisfeita e pressionar o Tadmadaw (nome dado ao Exército birmanês) com revoltas populares para que entregassem o poder aos civis. Em 2011 o regime totalitário teve seu fim, e o país caminhava em democracia.

No entanto, desde a derrota nas últimas eleições gerais em novembro de 2020, os militares vinham apontando irregularidades. O Exército afirmou existir 10 milhões de casos de fraude eleitoral, que nunca foram comprovados. Os rumores de um novo golpe já existiam anteriormente e não haviam sido descartados pelo líder da instituição.

No entanto, foi apenas em fevereiro – mês no qual o novo governo começaria suas atividades - , que chegaram as vias de fato. No dia primeiro, um comunicado foi emitido na emissora de televisão militar, anunciando estado de emergência por um ano. A tomada de poder foi feita de maneira não violenta, mas repressiva. A capital foi cercada, as fronteiras fechadas, as principais redes sociais bloqueadas e os meios de comunicação derrubados.

Durante todo este ano, o poder passar a ser do líder do exército, Min Aung Hlaing. A promessa é que após esse período, sejam realizadas novas eleições democráticas e “limpas”.

A população não aceitou o período emergencial com bons olhos. Isso porque a recente democracia que viviam fora muito aguardada pelos birmaneses. Outro fator que os deixam insatisfeitos, é que a líder eleita, Aung San Suu Kyi (conhecida como a mãe de Mianmar) é querida por boa parte da população, fato mostrado nas votações e nos protestos que exigem sua libertação.

 
   
Dado o golpe, os protestos começaram rapidamente. No dia 7 de fevereiro, as manifestações já eram as maiores no país desde a Revolução do Açafrão em 2007 – quando pediam pelo fim da ditadura -. A estimativa era de que quase 100 mil pessoas foram as ruas, de acordo com o jornal O Globo.

O governo militar rapidamente proibiu as manifestações, usando a força militar na repreensão. Desde então, o cenário caótico nas ruas tem trazido diversos feridos e já fez algumas vítimas, além de vários presos políticos.

Em 5 de março, Cristine Schraner Burgener, enviada da ONU ao país, disse que a ameaça é de que haja uma guerra real. As informações divulgadas pela ONU também afirmam que já houveram ao menos 54 mortes durante os protestos, que acontecem em 537 locais de Mianmar.

 


Quantos as pretensões militares com o golpe são ainda, mesmo para especialistas, bastante nebulosas. É difícil alçar as motivações, uma vez que os militares ainda detinham parte do controle do país, e viviam um momento de melhorias. Internacionalmente falando, algumas potências como os Estados Unidos, a ONU, e a União Europeia condenaram o golpe.

Especialistas também afirmaram que o golpe pode trazer diversos prejuízos, não só econômicos e em relações comerciais. Observa-se que não há pautas que justifiquem a decisão dos militares. As consequências deste novo golpe de Estado podem afetar os mais de 53 milhões de birmaneses, que prometem não aceitar a volta do governo totalitário e nem cessar as manifestações.

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