13/03/2021 às 13h01min - Atualizada em 13/03/2021 às 12h45min

Donald Trump busca dominar o Partido Republicano

O ex-presidente amplia esforços para punir rivais e aumentar seu poder

Carlos Aquino - Editado por Ana Paula Cardoso
Trump em embarque para viagem em agosto de 2020 (Foto: Casa Branca/Joyce N. Boghosian)

Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (Cpac) em 28 de fevereiro, Donald Trump mostrou que quer estender sua influência no Partido Republicano. Neste que é o primeiro evento desde sua saída da Casa Branca, o ex-presidente também apontou sua insatisfação com o partido por não expulsar seus rivais e insinuou que se candidatará novamente em 2024.

“A incrível viagem que iniciamos juntos há quatro anos está longe de acabar, nosso movimento de patriotas que se empenham acaba de começar, e ao final ganharemos”, afirmou.

Mesmo após sucessivas derrotas, como na própria eleição, nas contestações judiciais e na abertura do segundo processo de impeachment, ele é a figura mais importante e tem muito peso no partido. Na estratégia de ganhar ainda mais poder, o ex-presidente cobra fidelidade incondicional e promove perseguição política aos colegas que o contrariam.

Os alvos mais recentes são os 17 republicanos na Câmara e no Senado que votaram a favor de seu impeachment no início deste ano. “Livrem-se de todos eles”, disse Trump em seu discurso. Segundo o mestrando em Relações Internacionais e pesquisador do Núcleo de Análises em Assuntos Internacionais (NEAI) Thiago Godoy, “haverá um efeito [da pressão de Trump] nas próximas eleições, dependendo principalmente dos estados deles”.

Para Godoy, o Partido Republicano passou por um processo de constante mudança até abarcar de maneira consistente o perfil de eleitores hoje alinhados a Trump, que atualmente é a maioria. “Ele conseguiu explorar uma ligação muito complicada do partido com a base de eleitores mais ligados ao nativismo e ao nacionalismo populista.

Donald Trump cumprimenta apoiadores em agosto de 2020 (Foto: Casa Branca/Tia Dufour)

Donald Trump cumprimenta apoiadores em agosto de 2020 (Foto: Casa Branca/Tia Dufour)

De acordo com a pesquisa Quinnipiac, 75% do eleitorado republicano quer o ex-presidente desempenhando um papel importante no partido. Além disso, ele é o segundo candidato à presidência mais votado da história dos Estados Unidos. Isto ajuda a entender o caráter de dependência de Trump e o medo dele sair como um candidato independente nas próximas eleições.

Por sobrevivência, muitos políticos permanecem no Partido Republicano e apoiam a liderança de Trump. “Há um certo casamento por conveniência, tanto que figuras importantes do partido falaram que não veriam nenhum problema em apoiá-lo em 2024”, afirma Godoy. Um destes é o senador Mitch McConnell, que defendeu a condenação do ex-presidente dos Estados Unidos por incitar a invasão ao Capitólio - após votar pela absolvição - entretanto, disse que o apoiaria na próxima eleição presidencial.

Mesmo com toda essa influência, ainda há empecilhos. Por descontentamentos com o Comitê Nacional Republicano (RNC), Trump tem conclamado aos apoiadores que doem dinheiro para ele ao invés do partido. “Há apenas uma maneira de contribuir com nossos esforços para eleger os primeiros conservadores republicanos da América e, por sua vez, tornar a América grande novamente, e é por meio do Save America PAC e donaldjtrump.com”, disse em seu discurso na Cpac.

Embora esteja demonstrando força e se colocando no jogo eleitoral, o ex-presidente enfrenta diversos processos civis e criminais e tudo isso entra na conta para as definições do futuro político dele e também do Partido Republicano, que no momento busca ter mais candidatos eleitos nas eleições legislativas de 2022 para se recuperar de 2020.

 

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