26/03/2021 às 15h30min - Atualizada em 26/03/2021 às 14h29min

População vegetariana e vegana cresce cotidianamente no Brasil

30 milhões de brasileiros se declaram adeptos a esta opção alimentar

Alexia Catherine - Editado por Ana Paula Cardoso
Fonte: Cristiane Perroni

Vegetarianos ou veganos, a quantidade de pessoas que optam por retirar carnes de sua alimentação está em ascensão no Brasil. De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) aponta um crescimento de 75% em relação a 2012, representando 30 milhões de brasileiros que se declaram adeptos a esta opção alimentar, número maior do que as populações de toda a Austrália e Nova Zelândia juntas.

“As classificações de dieta variam muito, temos os ovolactovegetarianos, que não consomem nenhum tipo de carne, mas consomem laticínios e ovos. Os lactovegetarianos que também consomem laticínios, mas não consomem carne ou ovos. Ovovegetarianos, que não comem nenhum alimento de origem animal, mas ainda comem ovos. Vegetarianos estritos, que não consomem nenhum alimento de origem animal e os veganos que além disso, possuem o estilo de vida, na medida do possível, livre de produtos de origem ou testados em animais”, explica Ana Paula Mendes Caixeta nutricionista especializada em nutrição vegana e vegetariana, em entrevista ao site do Lab Dicas Jornalismo.
 
Segundo ela, o principal benefício da mudança de hábitos alimentares é a prevenção e o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e hipertensão. Isso ocorre devido as fibras presentes em alimentos vegetais e aos compostos bioativos que possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. “Meus pacientes relatam melhorias na pele e fortalecimentos dos cabelos, esses são alguns dos pontos positivos de ingerir mais vegetais e menos alimentos animais que são ricos em gordura saturada”, ressalta.
 
O fato que causa receio ao pensar sobre o tema é a preocupação com a deficiência de proteínas, presente em carnes. Mas, a nutricionista explica que: “Basicamente tudo o que comemos tem proteínas e as pessoas não têm essa noção. A falta delas ao deixar de comer carnes é um mito e conseguimos obtê-las através das leguminosas e cereais, grupos alimentares que normalmente fazem parte do nosso prato”, instrui. 
 
Para quem deseja iniciar a transição, é essencial o acompanhamento com um nutricionista, a fim de balancear individualmente a ingestão de nutrientes e evitar a escassez de cálcio e vitamina B12. A intenção é que ao aprender sobre como proceder, a pessoa se torne independente do médico, retornando apenas para checkups.
 
O aumento de adeptos surge por múltiplas razões, como defesa a causa animal, conscientização da saúde e preocupação com o meio ambiente. Conforme a nutricionista, o único ponto negativo é lidar com quem não compreende os propósitos da transformação alimentar.

Mudança que impacta as redes sociais
 
Com o avanço da tecnologia e aumento da popularidade das redes sociais, todos compartilham o seu dia a dia.  Alguns preferem criar perfis para tratar de um tema específico e ajudar quem está do outro lado da tela a entender mais sobre o assunto.“Eu comecei a produzir conteúdo no Instagram, porque quando virei vegetariana em 2019 fiquei muito empolgada com todas as coisas novas que descobri e queria mostrar para mais pessoas”, conta Laura Siqueira Dicker criadora de conteúdo digital (@vegcomcarinho) e acadêmica em psicologia, em entrevista exclusiva.
Atualmente com 60,4 mil seguidores, afirma que nunca imaginou que a página tomaria essa proporção e sente gratidão em poder conectar o mundo com o veganismo: “É chocante como podemos impactar vidas e o planeta tão positivamente por meio de uma plataforma”, salienta.
 
Ela iniciou sua transição após assistir documentários voltados a preservação animal e ambiental, além de pesquisar sobre os benefícios que acrescentaria a sua saúde. Em um mês cortou as carnes e após um ano todos os produtos de origem animal.
 
 
Júlia Maria Bortoli acadêmica de nutrição pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e criadora de conteúdo digital (@queijuvegan), revela ter dado o pontapé inicial em 2013, quando conheceu seu namorado: “Ele já era vegetariano a um ano e me mostrou aqueles famosos vídeos de exploração animal em abatedouros, então decidi parar de comer as carnes em geral, exceto peixe que continuei por um bom tempo. Minha principal motivação foi a ética e amor aos animais”.
Em 2018, durante uma viagem entre amigos pela costa do Uruguai, ela decidiu tonar-se vegana. Com o apoio de todos ao seu redor, incluindo familiares, a mudança foi tranquila.  
 
Independente da decisão alimentar, ela relembra que é necessário atenção: “Eu acredito que a maior vantagem pessoal seja a melhora da saúde, mas depende muito do estilo do seu vegetarianismo, porque você pode ser um vegetariano que come só arroz, massa e batata e provavelmente não será saudável. O correto é incluir frutas, legumes e verduras, o que também podemos chamar de plant based (alimentação baseada em plantas) que possui comprovação científica da eficácia no meio ambiente, porque reduz o consumo de água e produção dos gases de efeito estufa”.
 
Para Isabela Faria Palma, acadêmica em medicina veterinária e internauta vegana (_pitadadecor) o maior obstáculo que se pode enfrentar é a falta de conhecimento e certeza do que se quer: “Deixar de estabelecer seus objetivos e causas dificulta a constância. Precisamos conhecer o que comemos e estudar para fazer novas combinações, substituindo as carnes”.
 
Entre tantos termos e classificações, simplifica e define que o vegetarianismo é um regime onde são excluídos determinamos grupos alimentares, como carnes, ovos e derivados do leite, enquanto o veganismo é uma conduta voltada a preservação da vida, seja ela animal ou ambiental.

 
Para todas as entrevistadas, o acompanhamento nutricional e a prática de exercícios físicos, de preferência alguma atividade que lhe dê prazer é algo essencial. Eleger o vegetarianismo ou veganismo para sua vida ultrapassa barreiras do individualismo e alcança o coletivo, salvando vidas e o planeta. 

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