26/03/2021 às 22h15min - Atualizada em 26/03/2021 às 22h02min

Coronafobia | Saiba mais sobre a ansiedade grave causada pelo medo irracional da pandemia

A preocupação com a saúde é benéfica, mas, se houver aflição irracional e sintomas maléficos é preciso procurar um profissional

Marceli Maria - Editado por Ana Paula Cardoso
Foto: HEDGEHOG DIGITAL/ UNSPLASH
 
Eventos traumáticos levam a fobias específicas. A Coronafobia, termo criado ao final de 2020, se trata de uma ansiedade grave causada pela condição pandêmica. É classificada como um medo extremo de contrair o vírus levando a sintomas excessivos de ordem física, psicológica e comportamental.

Já faz mais de um ano que o mundo está vivendo a pandemia da Covid-19. Em cerca de 10 meses, o mundo mudou completamente, milhões de vidas foram perdidas, isolamento social sem data de término, crise sanitária, econômica e política. A
 nível mundial, foram contabilizadas mais de 2,74 milhões de mortes. E só no Brasil, já foi ultrapassado a triste marca de 300 mil óbitos.

Essa realidade provoca na população um aumento de sentimentos como o medo e ansiedade. A imprevisibilidade dessas questões levou a um aumento considerável de transtornos psiquiátricos e emocionais. Em um estudo publicado em dezembro de 2020 pela US National Library of Medicine que analisou 500 casos de ansiedade e depressão, foi verificado que todos os casos estavam ligados à pandemia.
 
Do que se trata

Em entrevista, a Dra. Rita de Cássia Salhani Ferrari, médica formada pela Universidade Federal de São Paulo, responsável pelo departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Marjan Farma, explicou o que difere a coronafobia da ansiedade já conhecida.


 
“A Coronafobia é uma ansiedade grave causada pela condição de pandemia que estamos enfrentando. Ou seja, é uma fobia causada por um medo extremo de contrair o vírus. Os sintomas são similares a qualquer fobia, mas estão relacionados ao medo excessivo de contrair a doença. A pessoa que sofre de Coronafobia possui um medo que é desproporcional ao risco de contrair a doença".

A preocupação com a saúde e os cuidados higiênicos são altamente benéficos, mas, se houver uma preocupação irracional, como aferir a frequência cardíaca ou a temperatura muitas vezes ao dia, ou até mesmo ir ao médico com frequência, apenas para garantir que não está doente, pode ser sinal de que a ansiedade está fora de controle e é preciso procurar um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento.

De acordo com a médica, alguns dos sintomas físicos são: palpitações, tremores, dificuldades para respirar e alterações de sono.  Já no âmbito emocional, os sintomas mais predominantes são a tristeza, culpa, medo de perder o emprego ou medo de contaminar e levar ao óbito seus familiares. Já entre os sintomas comportamentais mais frequentes estão o medo excessivo de encontrar pessoas, tocar em superfícies, evitar locais públicos, mesmo que sejam abertos, e ir repetidamente ao médico por achar que está doente.

 
“Obviamente todos estamos em situação tem medo de contrair o vírus, mas, se o medo for desproporcional ao risco, isto pode ser um sinal de que você tenha o que nós, médicos, chamamos de Coronafobia. A pessoa evita situações e lugares de contato com o público e caso o faça, se alguém espirra ou tosse perto dela, deflagra um medo irracional. Este medo deflagra vários dos sintomas citados”, ressalta.

Tratamento

O Ministério da Saúde realizou uma pesquisa com 17.491 brasileiros com idade média de 38,3 anos, variando entre 18 e 92 anos, durante os meses de abril e maio de 2020, quando as mortes pelo novo coronavírus aumentaram. O levantamento revelou que 8 entre 10 brasileiros estavam sofrendo de algum transtorno de ansiedade. Os grupos mais afetados pela Coronafobia foram jovens e mulheres, além de pessoas com diagnóstico prévio de algum distúrbio mental e dos grupos de alto risco.

A Dr. Rita explica que a doença gera muito sofrimento. Mas, que há tratamento, tanto cognitivo-comportamental, como por meio de medicamentos que controlam a ansiedade e melhoram o sono. Com relação ao tratamento medicamentoso, há desde medicamentos controlados que devem ser utilizados estritamente sob orientação e acompanhamento médicos, até produtos fitoterápicos compostos por extratos de plantas. 
“Há muitas opções de tratamento e não vale a pena sofrer desnecessariamente.  Evitar a automedicação e procurar um profissional de saúde para uma recomendação de tratamento adequado, fará com que a pessoa sofrendo de Coronafobia possa ter uma melhor qualidade de vida em meio a este período tão conturbado de pandemia que estamos vivenciando”.

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »