11/04/2021 às 16h29min - Atualizada em 11/04/2021 às 16h29min

Governo Federal segue atrasado no combate a pandemia e autoridades impõem medidas contra o vírus

Lockdown é uma das maneiras mais eficazes de combater o avanço da Covid-19. Entretanto, o Governo Federal segue arredio e não investe em um auxílio emergencial justo e medidas a nível nacional

Lucas Neves - Editado por Ana Paula Cardoso
Lucas Neves
O lockdown ajudou a Europa a frear o avanço da Covid-19. Segundo estudos comandados pela Imperial College London, pelo menos 3 milhões de vidas foram salvas graças as medidas restritivas impostas no mês de março deste ano por alguns países do velho continente. E não é preciso ir longe para entender a eficácia do fechamento geral. Em Araraquara, cidade do interior paulista, entre 21 de fevereiro e 21 de março, a média de casos caiu 58% graças a redução de pessoas nas ruas imposta pela prefeitura, enquanto no restante do estado ela cresceu 41%. No início desse período, a cidade contava com 100% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados.

O Governo Federal segue atrasado tanto no combate a pandemia quanto na vacinação. Atualmente, de acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas 2,4% da população receberam as duas doses de algum dos imunizantes disponíveis no Plano Nacional de Vacinação. O que corresponde a aproximadamente 5 milhões de brasileiros em um país com 211 milhões de habitantes. Para atingir a imunidade de rebanho, estudos apontam que é preciso que 60% a 75% da população receba as doses necessárias. No mês de fevereiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou que se o ritmo seguir lento, somente em 2024 todos serão imunizados.

No início da pandemia, em 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que a doença não passava de uma “gripezinha” ou “resfriadinho” e confrontou inúmeras vezes  Luiz Henrique Mandetta, que na ocasião comandava a pasta da Saúde.

 
“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho (...)”, afirmou o atual presidente da República.

Em abril de 2020, ainda nos primeiros meses da epidemia em solo tropical, Mandetta foi demitido e Nelson Teich assumiu a sua posição, pedindo demissão um mês depois. Em seguida, o general de divisão do exército, Eduardo Pazuello foi colocado como ministro interino. No dia 23 de março deste ano, o cardiologista Marcelo Queiroga assumiu a pasta. Desde então, a epidemia sofre altos e baixos e o Brasil enfrenta o pior momento.

Ao assumir o comanda da pasta, Queiroga foi questionado sobre a implementação ou não de um lockdown nacional e declarou que “evitar lockdown é a ordem, mas temos que fazer o dever de casa. Mas o dever é de toda população. Por mais que nós falemos todos os dias sobre isso, não vemos a população tendo adesão às medidas.”

Com um ritmo lento de vacinação e a falta de medidas restritivas eficazes, o país caminha para o colapso. Prefeitos se reuniram com governadores e soluções foram pensadas para conter a Covid-19. Em 24 de março, o governo do estado do Rio de Janeiro publicou em decreto anunciando um feriado entre o dia 26 a 4 de março. No dia 2 de abril, a prefeitura prorrogou as medidas restritivas até o dia 9 de abril, com uma publicação no Diário Oficial.

 
“Meu desejo é o de abrir a cidade inteira, bares, restaurantes e boates, ter praias cheias. Mas o que vale aqui não é meu desejo e, sim, preservar vidas. E, para preservar vidas, a gente precisa de dados científicos. As medidas restritivas, ao contrário do que apregoam alguns personagens, elas funcionam, têm resultado”, disse Eduardo Paes, atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro.
 
RELATOS
 
No dia 31 de março, o Lab Dicas saiu as ruas da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro e coletou alguns depoimentos de pessoas que tentavam trabalhar. Como descrito anteriormente nesta reportagem, os únicos meios de parar a pandemia são a vacinação em massa e, no atual momento, um lockdown eficaz e com auxílio emergencial digno cedido pelo governo. As opiniões expressas nas aspas a seguir não refletem, necessariamente, o posicionamento do Laboratório Dicas de Jornalismo ou seus colaboradores.
 
“Está todo mundo sem dinheiro. Eu vou e volto de Marataízes (ES) para vender aqui. Ficar lá no interior está muito difícil”, disse o vendedor Sidgley Batista.  
“Eu não poderia estar trabalhando, entende? Só semana que vem. Não posso perder o salão. Enquanto ele corta lá dentro eu fico aqui fora vigiando. E vamos revezando. É um olho no padre e outro na missa”, afirmou um barbeiro em entrevista.

Enquanto esta matéria era escrita, o país contava com 12.984.956 diagnósticos positivos e 331.433 vítimas no total, segundo dados do Ministério da Saúde.
 

 
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