15/04/2021 às 15h37min - Atualizada em 15/04/2021 às 15h33min

A “Fadiga de Zoom” ganhou destaque no ano da pandemia

As chamadas de vídeo se tornaram frequentes, associadas à necessidade de ficar em casa, entretanto, elas estão provocando exaustão e cansaço extremo

Giovana Cerantola - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução/Google

O ano passado realmente ficará marcado na história. Com a pandemia de coronavírus, muitas mudanças e adaptações foram necessárias para evitar a propagação da nova doença. Dentre as diversas mudanças, uma marcante foi a adaptação do trabalho e do estudo para dentro de casa, no momento, o mais seguro.
 

No entanto, trabalhar e/ou estudar nesse novo ambiente apresenta um grande desafio: a comunicação entre pessoas de diferentes localizações. Desafio que foi rapidamente adaptado e suprido por meio das vídeo chamadas. Elas marcaram 2020, realizadas frequentemente ao longo do dia, os indivíduos conseguem manter os contatos necessários sem sair de casa.
 

Todo esse contexto de mudanças e adaptações aparentava certa tranquilidade, entretanto, a realidade de quem estava inserido nesse novo método é complicada. Pessoas que precisam da tecnologia diariamente se sentem sobrecarregadas e cansadas. 
 

Segundo uma pesquisa da Universidade de Stanford, usuários de videochamadas estão passando por uma “Fadiga de Zoom”, ou seja, as pessoas estão, totalmente, esgotadas de tantas reuniões online diárias. 
 

O nome tem relação ao programa de videochamadas “Zoom”, que ganhou grande destaque e uso durante o período de isolamento social. Outras plataformas oferecem semelhante serviço e causam em seus usuários os mesmos sintomas. 
 

Para o diretor fundador do laboratório de Stanford, Jeremy Bailenson, existem quatro motivadores para tamanha fadiga. Dentre eles, pode-se citar o cansaço visual, já que os utilizadores passam horas olhando para uma tela pequena e com uma curta distância, tamanho que é reduzido ainda mais quando pensamos na divisão da tela para que todos possam aparecer, em uma videochamada. Além do mais, a ideia transmitida é de que todos os membros da chamada estão te observando a todo momento, como se fosse uma intimidação.
 

Ainda pensando no contexto de uma reunião virtual, existe também o fato de olhar incessantemente para si próprio gera cobrança, como de postura, por exemplo.  Além disso, gestos e expressões faciais se tornam um tanto mais forçados, para enaltecer os sentimentos, concordâncias e discordâncias do momento. 
 

Ademais, foram expostos outras duas situações que são prejudiciais. A falta de movimentação física - os indivíduos esquecem até mesmo de realizar atividades fisiológicas como beber água e ir ao banheiro - e também a dificuldade de comunicação durante as chamadas, devido a qualidade de som e imagem dos aparelhos computadores e celulares, provocam irritabilidade, estresse, má postura e exaustão.
 

O diretor ainda propõe algumas soluções, tal como deixar a câmera desligada em determinados períodos e evitar o efeito espelho na videoconferência. Os usuários podem também, realizar pequenas pausas para se movimentarem e beber água, por exemplo. 
 

A rotina de trabalho e estudo dentro de casa é intensa e é necessário uma separação entre a vida pessoal e profissional, principalmente, se possível, essas atividades devem ser realizadas em ambientes distintos, já que esses dois contextos unidos em apenas um cômodo da casa aumenta, significativamente, a sensação de cansaço e da falta de ânimo para atividades que, antes, eram prazerosas mesmo dentro de casa.
 

Um relato real da adaptação para o mundo digital e do uso de videochamadas:
 

Eu, com o início da pandemia, comecei a estudar jornalismo pela modalidade remota, e percebi diversos sintomas em minha vida, destes que foram descritos pela pesquisa. O meu "home office" é no mesmo ambiente em que durmo, leio e passo alguns momentos de lazer. Até o final do ano passado, não tinha percebido o cansaço que carregava comigo e o desânimo para realizar diversas atividades ao longo do dia. Somente quando tirei férias em janeiro, tanto da faculdade quanto de projetos de extensão, entendi que precisava mudar esses hábitos da maneira que fosse possível urgente. 
 

Mesmo gostando de visualizar as pessoas em videochamadas, passei a exigir menos de mim mesma e dos outros. Como recomenda o diretor fundador do laboratório, Jeremy Bailenson, comecei a realizar reuniões online com a câmera fechada em determinados momentos e retirei o efeito espelho das chamadas.
 

Além disso, reorganizei minha agenda, estipulando minhas prioridades atuais, com isso precisei abrir mão de um dos projetos de extensão em que eu fazia parte, infelizmente. 
 

Atualmente, reduzi a quantidade de ligações, na medida do possível, entre uma e outra aproveito para uma pausa, um alongamento e um novo copo de água. Assim, sigo com meus dias, não é o cenário ideal que planejei para a faculdade, no entanto, é o possível para o atual momento em que vivemos, afinal, não podemos negar que a tecnologia é de extrema importância quando pensamos em isolamento social.


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