25/05/2021 às 15h21min - Atualizada em 25/05/2021 às 14h51min

Mais prevenção e mais segurança: as mudanças enfrentadas pela odontologia na pandemia

Em função dos altos riscos de contaminação da Covid-19, muitos brasileiros ainda adiam a ida ao dentista e setor tem se adaptado

Dara Russo - Editado por Ynara Mattos
Yusuf Belek


A pandemia de Covid-19 dificultou inúmeras práticas profissionais, especialmente aquelas que requerem atendimento presencial e contato direto, como a odontologia. Em função dos altos riscos de contágio, as rotinas dos profissionais do ramo mudaram drasticamente, assim como a relação dos brasileiros com a rotineira ida ao dentista. Além disso, em fevereiro, a Anvisa atualizou a nota técnica nº 4/2020, recomendando que os procedimentos odontológicos devem se restringir aos de urgência.

Raphael Ribeiro é cirurgião-dentista e conta que uma das principais adaptações necessárias foi nas agendas de atendimento. Agora, higienizar o consultório entre as consultas requer mais tempo, o que exige um maior intervalo entre pacientes. Ele também ressalta que o uso de máscaras N95 não fazia parte da rotina dos dentistas, assim como o uso de aventais descartáveis e a aferição de temperatura e oxigenação sanguínea antes das consultas. “Nossa rotina mudou bastante”, conclui.

Mais proteção, mais gastos com insumos e novas alternativas

Tendo em vista que o coronavírus se propaga, principalmente, através de gotículas de saliva, a odontologia se torna uma das profissões com maior risco de contágio. O contato próximo com pacientes, saliva e sangue é inevitável, por isso, os cuidados preventivos são ainda mais importantes para a proteção, tanto dos profissionais da área, quanto de seus pacientes. Segundo o CFO (Conselho Federal de Odontologia), as 52.026 clínicas odontológicas do país aumentaram seus gastos com insumos como máscaras, luvas e capotes (aventais) descartáveis em mais de 2000% durante a pandemia.


Em contrapartida, o aumento com os gastos ocorre em um momento de queda da receita das clínicas, pois a procura por tratamentos odontológicos eletivos (que não são urgentes) diminuiu durante o período pandêmico. “Em 2020 houve uma queda de 50% dos atendimentos, mas agora em 2021 estimamos uma queda de 10%”, afirma Raphael sobre a clínica em que trabalha em Belo Horizonte.

Segundo pesquisa feita pelo Conselho Federal de Odontologia entre junho e julho de 2020, 82% dos cirurgiões-dentistas continuaram exercendo a profissão durante a pandemia. Frente a questões como o medo da contaminação e a consequente diminuição dos atendimentos, algumas clínicas buscaram por alternativas, como a teleodontologia ou o atendimento online. “Infelizmente na odontologia, a teleconsulta não é eficaz, pois para se dar um diagnóstico preciso é necessário o exame clínico do paciente, o que só se consegue fazer com ele no consultório”, opina Raphael. Na maior parte dos casos, o suporte remoto ainda não é suficiente, mesmo para tratamentos eletivos.


Anvisa oferece curso gratuito sobre cuidados odontológicos 

No início de maio, com apoio do CFO e em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, do Rio Grande do Sul, a Anvisa disponibilizou um curso gratuito intitulado  “Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços Odontológicos”. Desenvolvido com base nas orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde, o conteúdo disponível digitalmente visa fortalecer a importância dos cuidados de biossegurança durante a prática odontológica.


Disponível até o dia 15 de julho, o curso tem carga horária de seis horas e conta com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Além disso, ele integra o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Por tudo isso, fica evidente a necessidade das medidas de prevenção à Covid-19 no atendimento odontológico durante o período pandêmico.

 

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