29/09/2021 às 10h48min - Atualizada em 28/09/2021 às 17h38min

Gravações de filme “A Megera Domada” acontecem em Muzambinho (MG)

O longa, que está previsto para ser lançado em dezembro de 2021, foi desenvolvido pelo grupo de teatro da cidade.

Gabriela Armelin - editado por Luhê Ramos
Todo o longa-metragem tomou forma em um período de 5 dias intensos de filmagens. Foto/Reprodução: Sandro Fidélis.

A semana do dia 6 de setembro de 2021 foi marcada pelas filmagens do longa-metragem de uma adaptação da peça “A Megera Domada” de William Shakespeare para as telas. O grupo teatral de Muzambinho (MG) embarcou, pela primeira vez, nesse projeto cinematográfico devido ao isolamento social e contou com uma íntegra equipe de produção.

 

A ideia do filme surgiu meses atrás em meio ao cenário pandêmico, em que as apresentações teatrais se encontravam inviáveis para o contexto de distanciamento social. Dessa forma, a atriz e professora Érika Renata Evangelista, juntamente com Sandro Fidélis - diretor do longa - e o ator João Tuka, propôs a moldagem da peça ensaiada pela turma - A Megera Domada - para ser executada em forma de uma obra cinematográfica.

 

Apontada como um dos primeiros sucessos de Shakespeare, a peça conta a história de um pai que não aceita que a filha mais nova se case até que a mais velha encontre um marido. Mas há um porém: Catarina - a filha mais velha - não tem a intenção de se casar. Durante o decorrer dos acontecimentos, William nos mostra até onde os personagens se dispõem a ir em nome do amor. 

 

A obra, que foi publicada pela primeira vez em 1596, aborda uma visão social típica da época, explicitando o machismo da sociedade patriarcal e a submissão da mulher. A história é caracterizada por uma personagem feminina forte e por questões relacionadas aos costumes comuns do século XVI. Ainda assim, o enredo é conduzido de maneira divertida pelo dramaturgo.

Para o grupo, ser capaz de dar um passo tão grande ao compor o elenco de um filme foi extremamente empolgante e emocionante. A turma sempre esteve habituada com as apresentações teatrais e, neste ano, tiveram a oportunidade de se aventurar em uma vivência totalmente nova. 

 

Apesar disso, há significativas diferenças entre atuar nos palcos e atuar na frente das câmeras. Em entrevista com alguns dos atores do filme foi possível pontuar algumas das dificuldades. “A plateia faz muita falta. Eu gosto de escutar as risadas, gosto de olhar no olho da plateia e ver se eles estão curtindo. Além disso, uma das coisas mais diferentes é que é possível cortar na edição caso algo saia errado ou repetir a cena do início”, contou Ana Lígia Bengtson Casagrande, aluna de teatro. 

 

Disse ainda ter ficado um pouco nervosa no começo das gravações com a presença de tantas câmeras, mas que apesar disso, foi uma vivência satisfatória: “para mim é uma experiência totalmente diferente, mas eu fico muito feliz de estar interpretando, mesmo sendo uma grande dificuldade”.

 

Já para Gabriel Souza Castelo Branco Martini, os empecilhos são outros. “O maior desafio está sendo realmente seguir o texto e as palavras exatamente como estão escritas. Além de gravar várias vezes a mesma cena sem poder mudar praticamente nada”. 

 

Entretanto, os obstáculos não são suficientes para interferir no entusiasmo de participar desse projeto com seus colegas: “eu estou me sentindo muito honrado de representar essa peça, que é um clássico, tanto do teatro quanto do cinema. Está sendo um prazer trabalhar com essa turma que eu já conheço e convivo há 10 anos no teatro [...] Com certeza tem sido uma experiência muito boa”. 

A atriz, Érika Renata, explicou que esta arte é caracterizada pelo que se chama de trapézio sem rede, em que durante a apresentação, tudo que for realizado naquele espetáculo é o resultado final. Dessa forma, cada apresentação tem um efeito diferente das outras. “Às vezes uma palavra, uma fala ou um gesto, muda de uma apresentação para outra no teatro”, afirmou. 

 

“No filme você tem que repetir todas as cenas exatamente como foi da primeira vez para que não se perca nada. Eu acho que a repetição é o que mais nos pegou de surpresa [...] São muitos os detalhes das gravações. É o mais difícil, porém o mais encantador até agora”, acrescentou a atriz.
 

Além do mais, a turma cuidou minuciosamente dos detalhes para que o resultado do longa-metragem fosse fiel à história de William Shakespeare. Um dos pontos visuais importantes foi a incapacidade do uso de máscaras em um contexto do século XVI, por isso, todo o elenco e todo o time de desenvolvimento foi submetido a testes, seguindo o protocolo de segurança. Outra coisa que se fez um aspecto significativo foi o figurino, trazendo referências de vestimentas da época em questão. 

 

Quanto aos cenários, a equipe procurou por locais que se assemelhassem às características do período em que se passa a história. O primeiro lugar usado nas gravações foi a Sede da Fazenda Belém - propriedade da família Magalhães - que foi tombada pela Prefeitura Municipal de Muzambinho (MG) por seu prestígio cultural para a cidade. O ambiente é conhecido por sua bela arquitetura antiga. 

 

O segundo local que serviu de plano de fundo para as filmagens foi a Fazenda Santo Antônio do Campestre - propriedade da família Ribeiro - que também é um notável e harmonioso ponto do município. Já o terceiro cenário principal do filme foi o Parque Municipal da cidade. E, por fim, a quarta localização foi o conhecido restaurante Cesário's, aberto para os cidadãos desde 2004.

A equipe completa contou com cinegrafistas, atores, diretores e maquiadora. Na parte audiovisual, cujo Sandro Fidélis conduziu a direção, Túlio Casagrande e Viktor Monteiro se encarregaram igualmente da tarefa imagética do projeto. Ademais, a responsável pela maquiagem do elenco nos 5 dias de cinegrafia foi Karina Casagrande. 

 

O grupo de atores do longa contou com Amanda Rufino Brasil, Ana Lígia Bengtson Casagrande, Gabriel Souza Castelo Branco Martini, Lucca Vieira, Wesley Matos, Márcio Costa, Emylli Sabrina, Pérola Evangelista, João Tuka - que também esteve incluído na direção do filme - e Érika Renata Evangelista que, além da atuação, trabalhou também na direção e no roteiro de adaptação. E, finalmente, a trilha sonora será executada por Artur Vidal e William Mulia assim que as edições estiverem concluídas.
 

Ao elaborar a ideia do filme, os diretores se depararam com a questão financeira do projeto. Afinal, uma proposta de tamanha dimensão exigiria investimentos equivalentes. Porém, sem a ajuda monetária da prefeitura para com o longa, o grupo procurou outras alternativas e, por fim, conseguiu muitos patrocinadores - e pretendem conseguir mais - para arcar com os custos do projeto. Ademais, os profissionais envolvidos no filme também procuraram ajudar de várias formas.

 

“São amigos nossos, são familiares nossos, são todas as pessoas que gostam da gente, que gostam de teatro [...] Nós conseguimos que os nossos amigos, as pessoas que gostam da cultura, ajudassem a um preço muito barato, sabe? [...] Todos que estão envolvidos são excelentes profissionais, mas que estão fazendo isso por amor ao teatro. Por amor à arte. Por amor ao nosso trabalho. E isso, é o que é o mais sensacional de tudo”, disse Evangelista. 

 

Ao final da entrevista, a professora definiu o sentimento de poder estar realizando esse projeto em apenas uma palavra: prazer. “O meu maior prazer é sonhar um projeto desse tamanho e você olhar em volta e ver que talvez quem deveria mais apoiar não é quem está apoiando, mas você vê a quantidade de pessoas - que você nem imaginava - que abraçam aquilo e pensa ‘Poxa, caramba!’”, declarou. 

 

Mencionou ainda o quanto essa proposta aproximou mais as pessoas envolvidas e o quão satisfeita se encontra: “a família que você forma fazendo um filme desse, uma apresentação dessa, porque todo mundo sabe a dificuldade de se fazer e é muito prazeroso quando termina e você olha e fala “valeu a pena cada dia, cada dor de estômago”.

O diretor audiovisual, Sandro Fidélis, também compartilhou do mesmo sentimento e disse ter sido uma experiência incrível: “cara, é sensacional, porque, em primeiro lugar, acho que uma das partes mais interessantes é que eles estão ensaiando essa peça há mais de 1 ano e por causa da pandemia, até então, ela não poderia ser apresentada [...] o empenho deles está refletindo em tudo agora. Então, com as filmagens eles estão muito surpresos, porque é a primeira vez que eles participam de um filme, então é tudo novo para eles também, mas eles estão se adaptando muito facilmente [...]  está sendo demais trabalhar com eles”. 

 

O lançamento do longa acontecerá por meio das principais redes sociais da companhia teatral - que ainda estão em processo de criação - e, também, através do canal “Sandro Fidélis Films” no Youtube. A data prevista de estreia é para o mês de dezembro deste ano.


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