15/10/2021 às 12h30min - Atualizada em 15/10/2021 às 12h21min

Primeira vacina contra malária é aprovada pela OMS após 30 anos de pesquisa

Doença é responsável pela morte de mais de 400 mil pessoas por ano, sendo a maioria crianças da África Subsaariana

Isabella Baliana - Editado por Manoel Paulo
Vacina contra a malária sendo aplicada. Foto: Thoko Chikondi/Portal Science

No começo do mês de outubro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a malária, doença tropical que atinge principalmente países do hemisfério sul e mata cerca de 400 mil pessoas por ano, sendo metade delas crianças africanas com menos de cinco anos. A aprovação, ocorrida no dia 06 de outubro, foi tida como uma grande conquista histórica e científica, uma vez que o imunizante contra a doença demorou anos para ser produzido e mais tempo ainda para ser aprovado.

 

“Este é um momento histórico. A tão esperada vacina contra a malária para crianças é um avanço para a ciência, saúde infantil e o controle da doença”, comemorou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. Em declaração no site da agência internacional das Nações Unidas, o diretor também afirmou que a prevenção vinda por meio da vacina poderá “salvar dezenas de milhares de vidas de jovens a cada ano”. 

 

A nova vacina, feita pela companhia farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, foi denominada RTS,S ou Mosquirix e age estimulando o sistema imunológico de uma criança a impedir a infecção pelo Plasmodium falciparum, protozoário transmitido através da picada por um mosquito contaminado. Por se multiplicar rapidamente na corrente sanguínea e causar anemia grave, trombose e embolias, este é considerado o patógeno mais agressivo da malária - e o mais prevalente no continente africano. 

 

A recomendação e aprovação da vacina Mosquirix pela OMS foi baseada nos resultados positivos de um programa piloto em andamento desde 2019, realizado em três países da África Subsaariana: Gana, Quênia e Malaui. No estudo, foram administradas 2,3 milhões de doses, revelando um perfil de segurança favorável, com redução de 30% dos casos de malária grave e mortal, mesmo em áreas com mosquiteiros tratados com inseticidas e bom acesso a tratamentos. 

 

Outro fator importante percebido nos resultados do teste foi o maior alcance da população à saúde: os dados mostraram que a vacina aumentou a equidade no acesso à prevenção da malária, alcançando pessoas que antes não eram alcançadas. Assim, o imunizante se mostrou viável e com boa cobertura, mesmo durante a pandemia do coronavírus e seus desafios. 

 

A demora em desenvolver uma vacina contra a malária pode ser explicada primeiramente pela falta de investimento, tendo em vista que é uma doença que atinge prioritariamente países subdesenvolvidos e emergentes. Entretanto, além disso, há a complexidade genética do parasita P. falciparum. Para se ter uma ideia, o protozoário possui cerca de 5 mil genes, enquanto o vírus da covid-19, apenas 13. 

 

Conforme explica o professor do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, Cláudio Farias Marinho, “esses parasitas têm mecanismos de escape do nosso sistema imunológico e fazer uma vacina com sucesso é uma tarefa árdua”. 

 

Segundo o professor, a nova vacina apresenta eficácia entre 26% e 50%. Todavia, apesar do índice considerado baixo, ela será muito importante para conter o avanço da doença e reduzir as taxas de mortalidade infantil em vários países. “É muito importante quando você compara o número de óbitos atuais. É um passo gigantesco dos cientistas e certamente nos próximos anos nós vamos salvar muitas crianças utilizando essa vacina no continente africano”, afirmou


 

 

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