22/10/2021 às 16h45min - Atualizada em 19/10/2021 às 15h48min

Marighella, o nome que ainda desperta polêmica

Após 50 anos de sua morte, história sobre Marighella ganha vida nas telonas e causa opiniões diversas

Grazi Godwin - editado por Larissa Nunes
Reprodução: Google Imagens

Previsto para ser lançado em novembro de 2019, o filme Marighella sofreu uma série de adiamentos. De lá para cá, outras datas foram cogitadas a terem estreia do filme nos cinemas brasileiros, mas sem sucesso. Recentemente, o longa teve outra data de estreia: 4 de novembro deste ano.
Marighella, dirigido por Wagner Moura, tem positivas recepções e avaliações da crítica especializada. No festival de cinema internacional de Berlim, o filme foi aplaudido de pé durante dez minutos, tais fatos evidenciam que a obra é de qualidade e fiel à biografia escrita por Mário Magalhães, livro que foi inspiração para o filme. Mas então por que o longa está tão longe de ser aclamado no Brasil como foi no exterior?



Brasil: Contexto
 
Em 1º de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro assumiu a presidência do país. Conservador nos costumes e liberal na economia, Bolsonaro já deixava claro na disputa eleitoral como seria sua postura no cargo de presidente. Em seus discursos, e também daqueles que compõem seu governo, nota-se o louvor à ditadura que assolou o Brasil entre os anos de 1964 a 1985.
No decorrer do mandato, verbas destinadas a diversos fundos sociais foram sucateadas. Um grande exemplo foi a Ancine (Agência Nacional do Cinema), que teve 43% de sua verba cortada a partir de um projeto de lei.
 
Marighella, o filme sobre um comunista

O longa retrata a história de Carlos Marighella, interpretado pelo ator e cantor Seu Jorge, filho de um imigrante italiano e de uma mulher negra filha de pais escravizados. Comunista desde jovem, foi preso e torturado diversas vezes sob alegação de subversão.
Após a instalação da ditadura em 1964, Marighella esteve na luta armada com o intuito de derrubar os militares no poder. O filme mostra o guerrilheiro sendo considerado o inimigo número um do regime e as consequências de seus atos rebeldes, como viver na clandestinidade longe de sua companheira e seu filho.

Seu maior opositor era Lúcio, interpretado por Bruno Gagliasso, que foi inspirado no delegado Fleury, agente do DOPS, o mesmo que arquitetou uma emboscada para matar Marighella.
O filme, por contar a história de um líder comunista brasileiro, enche de revolta parte da população dita “cidadão de bem”. Nesta parcela está Bolsonaro e seus protegidos, que logo são contrários a biografia daquele que é considerado por eles um esquerdista contra a revolução de 64 e democracia.


 
Censura

Bruno Gagliasso, em entrevista a Mônica Bergamo, colunista da Folha de São Paulo, diz que existem várias formas de censura no Brasil de Bolsonaro, como, por exemplo, os impasses para a estreia do filme, produzido em 2017. “É muito frustrante, triste. É um filme que retrata a realidade brasileira, que fala sobre o país, e não poder falar de Brasil para o Brasil é muito triste”, lamenta o ator.
A Ancine recusou duas vezes o pedido feito pelos produtores do filme de a Agência dispor verbas para o lançamento o longa em 2019. Segundo diretoria da Ancine, o filme continha teor político forte demais.
Bruno diz que os artistas estão sendo extremamente atacados, mas que “o bem sempre vence”. “A arte e a história são implacáveis para contar tudo isso que estamos vivendo”, finaliza.


 

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