25/10/2021 às 00h00min - Atualizada em 25/10/2021 às 00h01min

Você conhece os medicamentos anorexígenos?

Saiba mais sobre os remédios barrados pelo STF

Por Yasmin Mendes - Editado por Júlio Sousa
Imagem edição e criação: Yasmin Mendes

Ter o corpo perfeito é a idealização de muitas mulheres, e para isso acontecer existem alguns caminhos a serem percorridos. Alguns deles são a boa alimentação alinhada com exercícios físicos que irão resultar em perda de peso, cirurgias plásticas que são métodos mais invasivos e demandam valores altos e o outro método muito usado é o uso de remédios de emagrecimento anorexígenos que possuem, em sua fórmula, inibidores de apetite.

 

A busca excessiva pelo padrão de beleza auxilia para que medicamentos como esses sejam usados com mais frequência pela população brasileira, a fim de ter resultados de emagrecimento rápido. Entretanto, há de se observar que existem alguns riscos ao ingerir esses fármacos, como, por exemplo, dependência física e psíquica, ansiedade, taquicardia, hipertensão arterial e etc, de acordo com especialistas da área.

 

Apesar de serem amplamente usados por diversas pessoas, o seu uso é recomendado às pessoas que apresentam casos de obesidade e até mesmo aquelas pessoas que apresentam dificuldades exacerbadas de emagrecimento. Por outro lado, existem pacientes que fazem o uso para tratamentos de outras enfermidades, como a ansiedade.

 

Para o tratamento da obesidade, a nutróloga Valéria Goulart faz um alerta:

 

“Temos que imaginar que o tratamento da obesidade, sempre falamos que são pilares: mudança do estilo de vida; orientação alimentar. Existem alguns casos que realmente precisam (do uso dos medicamentos) por mais que façam essa mudança, tem obesidade que é uma doença. Então tem que fazer o uso do medicamento com segurança.”

 

Comercialização e venda no Brasil

 

Por muitos anos a venda e a comercialização de remédios anorexígenos sempre foi algo discutido entre autoridades e a comunidade médica brasileira, pois desde 2011 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vinha barrando todo tipo de venda, justamente pelos riscos apresentados. Os laboratórios responsáveis pela fabricação dos medicamentos anfepramona, femproporex e mazindol não apresentaram relatórios de testes clínicos à Anvisa que indicassem relações favoráveis ao uso, o que contribuiu para que sua eficácia fosse debatida pelas organizações médicas.

 

Apesar das autoridades competentes terem barrado toda a comercialização em 2011, no ano de 2017 o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, interino na Presidência da República, sancionou a Lei 3.454/17 que aprovava e permitia a venda desses medicamentos no país. Contudo, agora em 2021 o Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a lei que permitia a produção, comercialização e consumo. 

 

O pedido de interrupção veio por meio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), alegando que a toxicidade desses medicamentos no organismo é desconhecida. Ainda assim, em 2011 a retirada destes medicamentos do mercado foi discutida exatamente por ter graves efeitos colaterais, mas mesmo assim a venda foi mantida. Após se passar 10 anos da decisão, os ministros voltaram atrás e os medicamentos foram barrados desde a produção, venda e consumo.

 

O que são esses medicamentos

 

De acordo com a nutróloga Valéria Goulart, os remédios anfepramona, femproporex e mazindol são anorexígenos derivados de anfetaminas que atuam no sistema nervoso central para inibir o apetite, e assim dando a sensação de saciedade ao paciente. Além disso, existem também outros efeitos, como controlar a ansiedade. 

 

Venda paralela na internet

 

Independente da venda ter sido barrada, é de conhecimento que ainda existem as vendas paralelas não autorizadas na internet, aumentando a venda ilegal e colocando em risco a saúde dos usuários. Para Valéria é importante ter cuidado com as vendas ilegais, reitera a nutróloga.
 

“Temos que tomar muito cuidado com o mercado paralelo, né. O mercado paralelo às vezes as pessoas continuam clandestinamente comprando pela internet, ou dentro de alguns “suplementos” para emagrecer.”

 

Valéria acrescenta a sua fala expondo um estudo publicado em um jornal britânico que alerta sobre os riscos do uso de suplementos para emagrecer. Segundo a nutróloga, o estudo mostrou diversos casos de intoxicação devido ao uso de suplementos que haviam, em sua fórmula, diversos componentes desconhecidos. 

 

Medicamento para emagrecer liberado pela Anvisa
 

Apesar desses outros três remédios terem sido barrados pelas autoridades, a sibutramina é o medicamento com registro mais antigo aprovado pela Anvisa, desde 1998. Além de ser disponibilizado gratuitamente no Sistema Único de Saúde, existem estudos de segurança que comprovam a sua eficácia e segurança. 

 

Além da sibutramina existem outros medicamentos que, mesmo sendo feitos para outra finalidade, possuem em sua característica a possibilidade de emagrecimento como um provável efeito colateral. Segundo a médica, esses medicamentos são conhecidos como “off-label” e acrescenta dando exemplo do topiramato, usado para tratamento de enxaquecas e crises convulsivas.

 

Relato dos usuários 

 

De maneira geral, o uso dos medicamentos que induzem à saciedade é quase o mesmo: o emagrecimento rápido. Portanto, quando há esse desejo muitas das mulheres procuram ajudas paralelas para atingirem a meta. É o caso de Manoela Araújo, que por ter sido enfermeira em um hospital conseguia facilmente receitas médicas para fazer o uso, mesmo nunca tendo ido a um médico especialista da área. 
 

“A gente chegava, pedia a receita e como eles me conheciam e sabiam que não era um tipo de pessoa viciada (no medicamento) e sabiam que queríamos é perder peso mesmo. A gente quando quer perder peso é aquela obsessão para poder emagrecer, né? E é um perigo. Eu pedia a receita e eles me davam.”

 

Apesar de ter feito o uso há muito tempo, Manoela ainda recorda de alguns efeitos colaterais que tinha na época. De acordo com a entrevistada, ela ficava muito agitada e, mesmo trabalhando muitas horas, aguentava facilmente a rotina de enfermeira. 

 

Embora algumas pessoas façam o uso por conta própria, outras utilizam por recomendação médica. Como é o caso de Thalita Moraes, que ao ir à consulta o médico recomendou o uso do medicamento.
 

“Ele falou que como eu estava com crise de ansiedade, eu não conseguiria emagrecer por conta própria. E eu precisava perder peso porque o meu corpo não estava aguentando o meu próprio peso.”

 

Thalita ainda menciona que apesar de ter feito uso, os medicamentos a fizeram muito mal, que sentia tonturas e que sua pressão caia constantemente, tendo até episódios de desmaios na rua. Ao se ver nessa situação decidiu interromper o tratamento, chegando até mesmo a emagrecer por conta própria sem o uso dos remédios.

 

De toda forma, é importante salientar que independente do motivo do uso de fármacos que possuem essa finalidade, é indispensável que se tenha responsabilidade ao tomar essa decisão. E claro, que seja feita com acompanhamento médico responsável, além de emendar o uso com práticas saudáveis, como exercícios físicos e alimentação balanceada. 

 

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