12/11/2021 às 20h00min - Atualizada em 12/11/2021 às 19h51min

Movimento feminista impulsionou liberdade das mulheres na moda

Por mais que muitos discordem, a moda tem uma grande relação com o movimento sufragista

Débora Nascimento - Editado por Larissa Barros
Criador: Rui Vasco Reprodução: The photographs used are the property of Associação ModaLisboa

Em um passado onde cada sexo era identificado, principalmente pelas vestimentas, podemos concordar que não era nada comum as mulheres usarem calças. Pelo contrário, durante muito tempo, elas eram obrigadas a vestirem espartilhos, saias longas e volumosas. E você sabe quando isso começou a mudar? 

 

O início do século XX foi marcado pelo movimento sufragista, que, de uma forma bastante resumida, foi a luta das mulheres pelo direito ao sufrágio, ou melhor dizendo, ao voto. Além disso, a ação também representou a primeira onda do feminismo. 

 

Nesse meio tempo, as sufragistas aderiram a um estilo de jaqueta e saia, que se tornou o símbolo do movimento, o conjunto ficou conhecido como “terno sufragista”. Desta forma, como não se tratava apenas de política, o modelo veio a se tornar uma verdadeira inspiração para a moda feminina. 

 

Deste modo, o estilo sufragista se tornou uma inspiração para Gabrielle Coco Chanel. A estilista francesa é vista por muitos como a criadora do primeiro terninho feminino. Entretanto, o modelo criado por Chanel, não levava o uso de calças. Conhecido como tailleur, o conjunto de blazer e saia, representou uma grande evolução no mundo fashion
 

 

Acima de tudo, Coco Chanel criou uma peça que se ajustava perfeitamente à mudança no estilo de vida das mulheres. Apresentado em uma pequena exposição em Paris, no ano de 1925, o modelo caiu no gosto popular, apesar de ter sido desenhado pela primeira vez em 1914. 

 

A partir daí, o modelo resistiu por muito tempo, e foi adotado por importantes figuras femininas, como a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Jackie Kennedy, a atriz Brigitte Bardot e a Princesa Diana, conhecida como Lady Di. A estilista não parou por aí! Além do tailleur, Chanel lançou moda com vestido tweed debruado (sem espartilho), o chemisier simples, que remetia-se à camisa masculina, e o corte de cabelo curto à "la garçonne”.

 

O terninho feminino visto como controle social 

Em 1932, a atriz Marlene Dietrich causou exaltação quando apareceu no lançamento do filme “The Sign of the Cross” vestindo um terninho feminino. O caso foi tão impactante, que acabou parando no congresso americano. 

 

O órgão teve que decidir se atitude violava ou não as regras sociais em vigor, pois, na época, o fato de uma mulher usar calças poderia ser considerado crime, causando até prisão sob a acusação de estar se “disfarçando de homem”. 

 

Anos depois, em 1950, uso de calças ainda não era aceito no ambiente de trabalho, nem em ocasiões formais. De acordo com a historiadora de Arte, Anne Hollander, a relação entre o estilo masculino e o feminino era bastante idealista. A divisão ditou por muito tempo a vida das mulheres. Acima de tudo, dizia como elas deveriam ser, e quais roupas poderiam ou não vestir.

 

O terninho feminino é de longe mais confortável do que o tailleur da Chanel. Ao mesmo tempo em que o terninho buscava ser prático e cômodo, o tailleur se mantinha com aparência mais tradicional. Vale ressaltar que ele também foi visto como sinônimo de poder.

 

O modelo usado por mulheres é duplamente provocativo. Além da influência do terno tradicional masculino, a peça ainda traz a versão de uma mulher ousada e moderna. 

 

As atrizes Marlene Dietrich, Katharine Hepburn, a cantora Françoise Hardy e a ativista Bianca Jagger são exemplos de mulheres que usaram o terninho feminino como slogan. Todas sempre exalaram sensualidade e elegância. 

 

Moda e feminismo nos dias de hoje 

 

Apesar de ainda existir bastante repercussão sobre a falta de diversidade no mundo da moda, o movimento feminista mudou a forma com que essa indústria aborda a imagem do corpo feminino colocando a mulher como protagonista dessa criação. 

 

Se antes era feita por homens, com imagens fetichistas, machistas e pensadas exclusivamente no que era atraente aos olhos deles, hoje marcas lideradas por mulheres invadiram a passarela e as vitrines. Quando pensado por elas, o conforto e as necessidades diárias estão em primeiro lugar.

 

Em um palco de corpos usados como instrumento político, expõe-se a pele nua, o mamilo “proibido”, a coxa pouco escondida por comprimentos mínimos e a bunda por baixo de uma transparência, como linguagens da liberdade. Após tantas proibições e restrições, por meio do poder alcançado, as mulheres começaram a decidir o que e se vão mostrar algo. 

 

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