04/12/2021 às 17h44min - Atualizada em 26/11/2021 às 21h43min

Camilla De Lucas estreia na passarela, mas a inclusão de profissionais pretos ainda está em falta

A influencer Camilla De Lucas realizou o seu sonho de modelo no SPFW no último sábado, mas a falta de modelos pretos ainda é uma realidade

Gabriella Lima - Editado por Flávia Pereira
Foto: Reprodução/Instagram @camiladelucas
Quem acompanha a youtuber e influencer Camilla De Lucas, sabe do seu sonho de ser modelo. Sonho este que não foi concretizado pela sua insegurança que era alimentada pelo racismo. Mas no último sábado (21), a ex-bbb fez sua estreia na passarela no SPFW ao desfilar para a grife Apartamento 03, que levou à passarela a coleção Cura, que utiliza técnicas manuais como bordados, crepes e cores em tecidos como seda plissada e  peças de alfaiataria.

Camila comentou nos bastidores do evento, a sua emoção e gratidão por depois de anos poder realizar o seu sonho de criança. "A Camila de 2009 que planejou tanto esse momento, que desfilava na calçada da rua de areia se achando a TOP, realizou seu sonho”.

A modelo, Debora Rodrigues disse o quanto foi significativo a estreia da apresentadora Camila De Lucas. Ver uma pessoa da comunidade preta tendo oportunidade é gratificante."O sentimento é de grande satisfação e de comemoração. Infelizmente temos que aprender a lidar com a negatividade alheia, pois as pessoas não estão preparadas pra ver as outras rompendo e vencendo", diz. 



A Camila está sendo uma das referências nesse universo da moda para muitos da população preta, principalmente para as crianças e adolescentes. A Débora cita que não teve uma referência, ela acreditava que as pessoas eram escolhidas pela sorte e não por mérito. Porém, através dos avanços e sua maturidade e entendimento, viu que ter uma referência, uma persona que ela olha se vê nela é essencial para continuar lutando para ter mais espaço. 

Desde da final do reality Big Brother Brasil, a ex-sister tem feito vários editoriais com marcas de referência na área da moda. Ela se destacou no programa e colheu frutos após a sua participação, realizando o seu sonho que tanto almejava. "Não acreditei quando meu stylist disse que eu desfilaria na SPFW. Pensei que fosse brincadeira, nunca tinha desfilado, no máximo na calçada da minha casa", entrevista para a revista Marie Claire. 

 

A Camila via seu sonho como algo distante, impossível pelas experiências que ela teve no meio da moda. Através da sua participação em um reality, viu sua vida mudar. E com vários convites que surgiram, ela viu que seu desejo de criança estava se tornando real e descobriu que amava esse univeso fashion. "Sempre tive esse sonho, desde pequena, mas a chama estava apagada, parecia muito distante esse meio. Depois do BBB muitos convites surgiram e descobri a cada ensaio que amava aquilo tudo". 

A influencer completa:"Refleti muito vindo pra cá, porque era um sonho distante, já tive algumas experiências no meio da moda onde as pessoas falavam que eu não poderia fazer trabalhos como modelo. Então, estar aqui hoje representa muita coisa. Era um sonho adormecido, estou muito realizada", entrevista para a revista Marie Claire.

 


Olhando o destaque que a Camila está tendo, é de encher os olhos e de acreditar que as coisas estão mudando, as pessoas estão entendendo a importância da diversidade preta. Mas infelizmente a história da influencer é incomum. Um mercado no qual a branquitude ainda é maioria. 

Claro que há mudanças, estamos presenciando muitas diversidades. No SPFW vimos muitos modelos negros, a grife que a youtuber desfilou, a sua grande maioria era preta, mas se olhamos no todo é pouco diante da grandiosidade do universo da moda. Essa falta de visibilidade para profissionais pretos vem da cultura do racismo. O racismo estrutural que fica escondido dentro das entrelinhas.

Um dos fatores que a Camila já citou foi o racismo. Pessoas diziam a ela que beleza preta não vende, que não tem valor. Mas quando pesquisamos a comunidade preta, consome muito a moda/beleza. O instituto Locomotiva fez uma pesquisa e o resultado mostra que a população negra movimenta cerca de 1,7 trilhões de reais por ano, mas só 10% são representados. Diante disso, compreendemos como o racismo é um fator absurdo para a comunidade negra não ter espaço.

"A falta de informação em saber a história, a origem, dificulta o acesso e a presença de modelos pretos na área da moda. Os maquiadores e cabeleireiros ainda erram na cor da nossa base e não sabem como fazer um penteado no nosso afro", completa a modelo. 


Para reverter essa discrimanação que resulta na falta de oportunidade para a comunidade negra, é estudar sobre a cultura preta, suas histórias e vivências. Tantas coisas que consumimos que grande parte das pessoas não sabem que vem da mão de obra preta. Compreender essas vivências e retirar o tampão da ignorancia dos olhos e enxegar o valor e a importância que a comunidade negra possui. 
 

Camila de Lucas é a prova que as oportunidades para pessoas pretas, mesmo lentas estão mudando, avançando. Debater, falar e não se esquivar são fatores que vão fazer que as mudanças começam a ocorrer rápidamente.
 

"Sabemos que Camila pisou nas passarelas por conta de uma grande visibilidade que a mesma teve dentro do reality BBB, infelizmente não são todas as pessoas que tiveram a mesma chance que ela. Mas esperamos que a partir disso, a notoriedade para modelos pretos cresça cada vez mais", complera Debora.


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