27/03/2022 às 21h01min - Atualizada em 18/03/2022 às 11h42min

Bogolan: tecido africano cheio de simbologia

Bogolan, peça feita a mão e com produtos naturais originário do povo Bambara

Gabriella Lima - Editado por Beatriz Seguchi
Foto: Reprodução/Instagram (@madamemariko)

Quem prestava atenção nas aulas de história, aprendeu que ao longo dos anos as histórias da humanidade eram contadas em formatos váriados, como os desenhos. Cada tribo tinha o seu diferencial que retrata suas características de identificação. Mas o que essa relação tem com a moda? Simples. A moda através de seus designers e criações são usadas para mostrar a cultura de cada época, de uma comunidade e entre outros. 

Esta indústria tem o objetivo de trazer para a atualidade com formas mais modernizadas as culturas diversas. E assim todos possam ter conhecimento de cada história. E a cultura africana tem muito dessas simbologias. A força da linguagem visual e não verbal é muito enraizada e de características notáveis. Uma cultura rica em cores e desenhos bem expressivos. É o que o tecido Bogolan carrega!

Tecido Bogolan 

 

Bogolan ou Bogolan Fini, originário do povo Bambara que significa “ Feito com terra”. Este nome se dá pela técnica ancestral de estamparia tendo como base os óxidos ferrosos do solo. A produção do tecido era feita por mulheres, pois elas produziam as peças para o uso doméstico, cotidiano e para as vendas nos mercados. Os homens caçadores e os pastores também utilizavam esses artigos para o uso pessoal e para o trabalho. 

 

O processo de confecção adiciona a tecelagem, tingimento e estamparia. No primeiro momento o tecido é tear manualmente no formato de faixas e em seguida costurado para compor o tecido extenso para a produção das roupas.

 

 

A tintura para o Bogolan é vegetal e são feitas de folhas e raízes que proporcionam coloração amarelada, castanhos e marrons. A argila usada, é rica em óxidos de ferro, deriva de brejos e remansos. 

 

O tratamento que o tecido recebe após todo esse processo é a fermentação antes da utilização. O uso das mordentes vegetais é para a fixação e durabilidade da cor, característica única para o tecido. 

 

 

Os desenhos e formas feitas na peça são feitos com auxílio de pincéis, escova de dente, stencil ou com os próprios dedos - o que é mais utilizado -. Uma produção rica na elaboração geométricas e símbolos ancestrais que carregam códigos tradicionais de cada comunidade. 

  
Chris Seydou
 

O estilista Malinês, Chris Seydou foi o primeiro a introduzir o uso do Bogolan na moda. Tecido tradicional da zona rural africano agora estava inserido na indústria da moda e adaptado para o uso urbano.

 

Com esse primeiro passo foi importante para que a popularidade deste artigo tradicional fosse conhecido e que sua história fosse carregada de uma forma mais moderna, mas sem deixar a sua herança apagar. 

 

 

Através dessa modernização de um tecido ancestral para o urbano, o estilista fez com que esse artigo ganhasse espaço e destaque com produção de minissaias e jaquetas. 

O figurinista Kandjura também contribui para a popularidade do têxtil, com o seu trabalho incrível criando boubous de bogolan para o cinema. Com essas adaptações o tecido foi sendo conhecido e chegando em outros lugares como o Japão.

 

 

A moda africana é rica em suas cores, estampas, e em seus desenhos traz a sua ancestralidade e uma cultura cheia de simbologia única. Referências que estão espalhadas por esse mercado tão grandioso como a moda. 

 

O bogolan só fomenta o quanto as heranças afro são cheias de uma simbologia peculiar e de grande relevância!


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