05/04/2022 às 15h44min - Atualizada em 24/03/2022 às 11h42min

Extraordinário foi mesmo extraordinário

Filme exibido em 2017 traz uma ótima crítica a aceitação

Marina Magalhães Prizan - editado por Larissa Nunes
Ilustração do capacete do August. (Foto: Reprodução Google Imagens / Pinterest)

Extraordinário foi o primeiro livro de R.J. Gerando até agora, nove derivados, que conta a história de August Pulman, um garoto com uma deficiência genética na face; na indústria cinematográfica não existem muitos filmes que debatam a deficiência com dignidade.

Por isso fiquem felizes com a existência de The Fundamentals of Caring, Intocáveis,Fuja e o livro e também filme, Extraordinário. Falando nele, já que vocês, (leitores e nerd’s), adeptos a filmes vs livros, gostam de discutir isso, vou dizer minha óptica: o filme ganha dessa vez. É sério! Desde a Culpa é das Estrelas que eu não falo e nem digito uma coisas dessas, então, confiem em mim!

O livro é mais dolorido que o filme, e tem mais referências literárias, frases de personalidades, e de Star Wars do qualquer outra coisa; nisso o filme pecou, mas a adaptação salpicou a trajetória fiel de um livro que te faz refletir,chorar e sorrir.


Trailer do filme Extraordinário. (Reprodução: Ingresso.com / YouTube)


Para quem leu o livro e assistiu o filme, sabe que tiveram cenas com contextos diferentes, algumas "recortadas"  e "coladas" em outras cenas, ou até mesmo, protagonizadas e faladas por outros personagens.

August Pulman/ Jacob Tremblay/ traduz muito bem o pesar da deficiência para aqueles que a têm, não só a mesma do personagem, como também, quaisquer outra patologia; e de quebra, quem não tem, é capaz de querer abraça-lo.

August tem 
dificuldades de fazer amigos, no entanto, tem dois maravilhosos. Apesar do filme ter jogado seu melhor amigo de infância no esquecimento (Christopher). Jack Wil, (amigo de convivência escolar), faz bem o papel de melhor amigo; e quem não leu o livro mal sabe que Christopher existe.

O que eu mais me intriguei, com o livro e também o filme, foi o fato do capacete de astronauta ser a forma de fuga do Auggie, e como isso, (o lúdico do espaço), deixou a adaptação mais gostosa e mais melancólica  que o próprio  livro.

Mas, sinto-lhes informar, de acordo com o livro, auggie se desencantou por ele. Dois anos depois do último natal com a Miranda (melhor amiga da irmã dele) (Que foi quem deu o capacete). O que é ótimo. Isso significa que, o "August original", (o do livro), não sente vergonha do rosto que recebeu, e que dentro de sua própria casa, sua família não faz com que ele se sinta diferente. Ele tem raiva e chora por coisas que passa na rua ou indiretamente.  Assim como eu, por ser cadeirante. Quem sente na pele sabe!
 
Pontos negativos

Os pontos de vista que faltaram

Como eu disse a adaptação inteira, foi gostosa. Contudo, de nada vale uma critica aonde tudo são flores. O livro traz um 'climax' para cada troca de narrativa. Como no filme, existem alguns pontos de vista de familiares e amigos do personagem. Eles narram basicamente o primeiro contato deles com o August, e a implicação disso do dia a dia, até chegar no ponto onde 'troca de visão' sob o que estamos assistindo começa.

Olhando a construção do livro, nem o pai do August, Nate, mereceu um capitulo próprio, mas, pelas 'cenas que li' e imaginei, dava para dar um pouco mais de visibilidade e trabalho para o ator Owen Wilson, que ficou com três lasca de drama. E me indignei, depois de escutar o áudio livro. Se eu fosse o Owen, teria pedido mais cenas. Ele só é o bom pai comediante e foram apagadas as discussões.

Olivia (Via): Com ela tudo certo. Meus únicos incômodos, é aquela briga da Isabel com ela, quando o August fala: "é mentira! Você não quer que eu vá, porque não quer que todos vejam seu irmão anormal." Realmente, ele tá certo. Ela não queria e por isso escondeu a peça dos pais. Na discussão, só dá a entender que ela escondeu a Peça de Teatro, porque, para ela, a atenção não é tão forte quanto a que os pais dão para o irmão.

Ela entrou em prantos com o namorado dela, e se chamou de 'pessoa horrível' por confessar a ele, que não queria o irmão na escola. Ela tem camadas, enfrenta o irmão, quando ele acha que tudo se refere à deficiência dele. Outro ponto da vida da Olivia que gostaria de ter visto, é quando ela volta da casa da avó, depois de um tempo longe do irmão. 

 


Summer: A menininha fofa foi completamente desvalorizada no filme. Trocava a narrativa do Jack Wil pela dela facilmente, e, pra que a menina 'dos comerciais', apresentar a escola se tinha a Summer? Essa era a chance de apresentar a personagem duas vezes. Adoraria o August na casa dela fazendo trabalho escolar, ou a cena da festa de halloween.


 
 

Jack Will: Ele não precisava de um capitulo narrativo. Trocava o dele pela Summer, ou pelo do Christopher. Pela Summer, Que decidiu ir embora da festa de halloween porque a pressionaram, a deixaram deslocada e falaram mal do Auggie. E o Christopher. Por ter um livro só para ele contando as dores e as coisas legais que passa e passou por ter o August como amigo, mas o Jack é um lindo amigo e poderiam mostrar isso no decorrer do filme.
 

Miranda: Foi por causa dela que o roteiro foi escrito para o personagem amar o espaço. Sem este elemento, a parte da Miranda por ser amiga de infância da Olivia, e a saudade que as duas sentem uma da outra, não causaria tanta sensação de amor e pena. E nem daria tanto sentido. O Auggie gosta tanto de tirar boas notas, em ciências, já que ele nunca tinha frequentado uma escola. A parte dela não é necessariamente um ponto negativo pro filme, e sim para o livro; a ideia do capacete de astronauta e a tara do personagem pelo espaço fez o filme ganhar do livro.



 

Justin: O namorado da Via, (Olivia), se vocês ouvissem a 'pasta' dele.. gente, é uma das partes mais lindas e tristes do livro e deixaram de fora.

Dos pontos de vista da convivência com a família Pullman, ele ia dar mais corpo a mensagem de 'seja gentil', porque todos enfrentamos o mundo. Para resumir, ele não tem carinho e dedicação da própria família, ele é sozinho e encontrou afeto em uma que não é dele e de quebra, defendeu o Jack Will, por ele passar por implicâncias, só por ter escolhido a amizade do August.

Justin merecia mais que a Miranda. Ele ia ser um ótimo ponto de vista para quem era o desconhecido da casa dos Pullman’s, e tem que conviver com uma família que tem uma pessoa com deficiência; não sei porque não deram voz a ele.



 

Três pontos extras

Que livro e filme é esse? Que esqueceu que professores também são preconceituosos? Porque são! E muitas crianças deveriam aprender identificar isso para defender seu amigo. E enquanto lia o livro e pensava no filme, ficava com pena da imagem das crianças; só elas alimentavam o preconceito no livro e filme.

Star Wars: O personagem gosta tanto, por que não enfiaram mais easter egg's? Colocava os Stormtroopers pra andar com ele pela escola ou o yoda consolando o choro dele na cama, fazendo carinho. Tem tanto no livro a adoração por essa nerdice, deveriam ter posto mais.
                                                                       

GIF: Chewbacca

GIF: Chewbacca

(Foto: Reprodução / Chewbacca GIF - Find on GIFER)

Os amigos do Julian e o Julian: O 'menino bullying' e seus 'paus mandados' sem punição. Oi? Em que mundo de bullying estamos?


Auggie 

Ele tem suas dores e alegrias, assim como todas as pessoas com ou sem deficiência. Não posso negar, se for pra dizer a verdade, tudo que pessoas com deficiência passam, é mais difícil. Não é que seja para todos, é porque sempre vai ser mais difícil.

As pessoas acham que é surpreendentemente admirável não achamos nada de mais o que passamos. para nós. todas ás ditas '' lutas'' e buscas de vida, são iguais, apesar de sabermos a verdade e das nossas famílias e amigos saberem a verdade.  Não é uma questão de poder mudar, não é uma questão de mudança de personalidade, é uma coisa imutável e não dar para ser diferente. Auggie sabe os tipos de olhares perdidos e surpresos que recebe, e o que sempre vai ter de lidar durante toda sua vida, seja bom ou ruim.

O filme e o livro, trazem mais que a mensagem de aceitação, compreensão, respeito as diferenças e empatia. Traz como o August não se vê como todos o veem, incluindo a própria família. Ele se vê comum, e a pergunta que eu faço é: por que que ninguém além de mim e dele, e de outras pessoas além de nós, que somos os ditos 'incomuns', somos extraordinários? Nem foi a gente que derrotou Voldemort, foi o Harry Potter,  ou melhor, foi a J. K. Rowling.
                                                                                       


 

 


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