03/08/2019 às 21h00min - Atualizada em 03/08/2019 às 21h00min

Moléculas da maconha é objeto de estudo

A canflavina A e canflavina B, elementos da maconha, além de não causarem dependência, são 30 vezes mais eficazes do que uma aspirina

Isabelle Miranda - Editado por Thalia Oliveira
Divulgação
Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Guelph, Canadá, explica a forma como fizeram uma combinação genômica e bioquímica para descobrir como a cannabis produz canflavina A e canflavina B, duas moléculas que são 30 vezes mais eficazes no combate a dor e mais eficientes que a aspirina.

Embora essas moléculas, chamadas de flavonoides, serem conhecidas desde 1985, o que se sabe sobre o assunto é limitado devido à estrita regulamentação sobre a pesquisa da maconha. Entretanto, com a recente legalização da cannabis no Canadá, os cientistas puderam fazer o estudo sem grandes dificuldades.

Os pesquisadores usaram técnicas bioquímicas para descobrir quais genes são necessários para fazer as duas moléculas e quais enzimas estão envolvidas no processo. “Existem muitos genomas sequenciados que estão disponíveis ao público, incluindo o genoma da Cannabis sativa, que pode ser extraído de informações. Se você sabe o que está procurando, pode dar vida aos genes, por assim dizer, e juntar moléculas como cannflavinas A e B são montadas”, explica o autor do estudo, Tariq Akhtar, em comunicado.

As moléculas atingem diretamente a dor e não são psicoativas, ou seja, não afeta o funcionamento do sistema nervoso central como opiáceos (substâncias encontradas no ópio) ou o THC da cannabis. Dessa forma, seria possível usá-las para criar uma nova classe de analgésicos sem o risco de causar dependência. “Há claramente uma necessidade de desenvolver alternativas para o alívio da dor aguda e crônica que vão além dos opióides”, explica Akhtar.

O próximo passo é tentar produzir as referidas moléculas em grandes quantidades sem a necessidade da cannabis, já que mesmo plantas geneticamente modificadas não seriam capazes de produzir o suficiente. Para isso, os cientistas fizeram uma parceria com uma empresa canadense chamada Anahit International Corp, com o intuito de realizar a produção das moléculas.

 

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