14/08/2019 às 12h15min - Atualizada em 14/08/2019 às 12h15min

​Produto para consumo é feito na área de exclusão de Chernobyl

Atomik é bebida feita a partir de cereais e água da zona de exclusão que ainda vigora, ao redor da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia

Isabelle Miranda - Editado por: Thalia Oliveira
Divulgação
A vodca Atomik é o primeiro produto criado para consumo, proveniente da área abandonada em torno da usina, palco do maior acidente nuclear da história, ocorrido em 1986. A equipe idealizadora do projeto, iniciou estudos para fabricação da vodca, a partir do cultivo de cereais em uma fazenda na zona de exclusão, na qual trabalham há anos, onde analisaram como a terra se recuperou.

“Essa é a única garrafa que existe. Eu tremo só de pegar nela”, diz o professor Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. A equipe responsável pela fabricação da bebida, espera usar o lucro das vendas para ajudar as comunidades ainda afetadas pelo impacto econômico do acidente na Ucrânia.

Produção da bebida

Foi usado o centeio que estava levemente contaminado e a água do aquífero de Chernobyl, que foram destiladas. Os pesquisadores pediram a colegas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que tentassem encontrar radioatividade, por meio de testes laboratoriais. “Não é mais radioativa do que qualquer vodca. Quando você destila alguma coisa, as impurezas ficam nos resíduos”, disse Smith. Nas analises, as amostras estavam abaixo do limite de detecção.
Gennady Laptev, cientista do Instituto Hidrometereológico da Ucrânia, em Kiev, também é membro fundador da recém-criada Chernobyl Spirit Company. Laptev explica que o grão de centeio e a bebida resultante dele mostram como parte da terra poderia ser usada produtivamente. “Não podemos abandonar a terra, podemos usá-la de diversas maneiras e produzir algo que será totalmente limpo de radioatividade”, explica.

A escolha de produzir uma bebida se deu por conta de ser um produto purificado, destilado que pode ser feito a partir de grãos contaminados. De acordo com Smith, o objetivo do projeto vai muito além de se produzir uma bebida exclusiva. A principal meta é a possibilidade de dar apoio às comunidades que vivem ao redor da zona de exclusão, sendo 75% do arrecadado será destinado a essas pessoas. Smith pretende fabricar 500 garrafas ainda neste ano, com vendas inicialmente para o crescente número de turistas que visitam a zona de exclusão.
 
 
 
 

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