30/08/2019 às 23h09min - Atualizada em 30/08/2019 às 23h09min

Estudo indica que o primeiro grupo de humanos a saírem da África foi há 2,5 milhões de anos atrás

A pesquisa em terras Jordânia tem potencial de redefinir cronologia da saída dos primeiros hominídeos da África

Caio Costa
A espécie H. habilis é a mais antiga do gênero Homo e chegava a uma altura máxima de 1,4 m. O volume de seu cérebro era de cerca de 650cm³. Foto: Reprodução (The Human Journey

Um grupo de pesquisadores brasileiros afirmam ter descoberto os mais antigos indícios da saída de hominídeos, família taxonômica ao qual a espécie humana pertence, da África. O estudo é resultante de escavações feitas durante 2013 á 2016 no vale do rio Zarqa, na Jordânia, os seixos lascados e lascas, pedaços de rochas, encontrados nas camadas geológicas da região foram datados por três métodos distintos e atingiram a idade máxima de aproximadamente 2,5 milhões de anos. 
 
Se os dados forem comprovados corretos, esses artefatos teriam sido produzidos por humanos arcaicos pertencentes a populações de Homo habilis, a primeira espécie conhecida do gênero Homo, 400 mil anos antes do registro considerado até agora como o mais antigo da presença de hominídeos fora do continente africano.
 
Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), esse estudo arqueológico que envolvem arqueólogos e geólogos de universidades brasileiras, também poderia ser um indício de que a primeira espécie de hominídeo a deixar o continente visto como o berço da humanidade pode não ter sido o Homo erectus, teoria com maior credibilidade no meio científico até então. Há 2,5 milhões, idade dos sítios de Zarqa, existia apenas uma espécie de hominídeo que trabalhava a pedra lascada, o Homo habilis, cujo nome deriva justamente da habilidade de ter sido o primeiro humano arcaico a talhar fragmentos de rocha. Por isso, os estudiosos do grupo acreditam que essa espécie deve ter sido a criadora dos artefatos de Zarqa. 
 
Nosso estudo muda a história da humanidade em quase meio milhão de anos”, afirma o bioarqueólogo Walter Neves, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), coordenador da equipe que fez as pesquisas na Jordânia, para o Marcos Pivetta em portal FAPESP.
 
A área do vale do rio Zarqa em que foram encontradas as pedras lascadas fica em torno de 40 quilômetros de Amã, capital jordaniana. Na região, não foram encontrados fósseis de ossadas de hominídeos, o que dificulta a confirmação da existência de populações de H. habilis na área. O arqueólogo italiano Fabio Parenti da Universidade Federal do Paraná (UFPR), membro da equipe e coautor do trabalho, explica que não é comum serem encontrados esqueletos humanos em sítios paleolíticos. “Quando não temos ossos, falamos das pedras”, completou.


Artefatos de pedra lascada achados na Jordânia seriam indício de saída de humanos arcaicos da África 400 mil anos antes do que se pensava. Fotos: Reprodução - Agência FAPESP (Fabio Parenti / UFPR | Leonor Calasans / IEA-USP | Léo Ramos Chaves)






Os pesquisadores afirmam ainda terem sido cautelosos durante o monitoramento e seleção das peças, compreendendo a importância do rigor ao apresentar resultados de estudo arqueológico com potencial de redefinir a ordem cronológica da diáspora humana. Para o grupo, os cerca de 2 mil artefatos líticos obtidos em Zarqa apresentam características incontestáveis de terem sido produzidos por mãos humanas.
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