18/09/2019 às 02h44min - Atualizada em 18/09/2019 às 02h44min

Maior estudo sobre sexualidade da história rebate a existência de um ‘gene gay’

Segundo pesquisadores, a sexualidade humana é definida por diversas composições genéticas e fatores sociais

Caio Costa - Edição: Lavínia Carvalho
Foram analisado o DNA de mais de 500 mil participantes dos EUA e Reino Unido. Foto: Reprodução ( Bruno Domingos / Reuters)

Estudo publicado na Science no final de agosto, confirma que a sexualidade não-heterossexual não pode ser definida por um único gene, mas sim pelo resultado da difusão entre centenas de genes e fatores sociais de diversas características. A conclusão publicada na revista foi a maior análise científica sobre homossexualidade e genética, até então, com um monitoramento de mais de 400 mil perfis de DNA inscritos no projeto Biobank do Reino Unido e cerca de 70 mil do banco de dados da empresa norte-americana 23andMe, acompanhado por um grupo de pesquisadores de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Os participantes responderam se durante a sua vida tiveram relações sexuais unicamente com pessoas do sexo oposto ou também com pessoas do mesmo sexo. Entre os que afirmaram terem se relacionado com o mesmo gênero, foram comparadas as composições genéticas do DNA e as possíveis semelhanças entre elas.

“Não existe um gene gay”, concluiu a autora líder do grupo de estudo Andrea Ganna, geneticista do MIT e Harvard, contrariando uma corrente científica dos anos 90 que acreditava na existência de uma possível gene específico responsável por determinar a homossexualidade. Para Ganna e todo o grupo, em torno de até 25% da composição genética de alguém pode influenciar seu comportamento sexual e, ainda assim, não há uma precisão de que estes genes serão determinantes na definição da sexualidade de alguém. Fatores externos e sociais exercem maior influência que o DNA, segundo relatório.

Em uma segunda análise específica entre os genes que podem exercer uma influência na sexualidade humana, foram encontrados cinco marcadores que se apresentam com maior frequência na composição de indivíduos que afirmaram se relacionar com o mesmo sexo. No entanto, estes cinco marcadores são responsáveis por explicar menos de 1% da sexualidade. 

Apesar de ser o maior estudo da história sobre o assunto e o primeiro a apontar de forma concreta o grupo de genes que exercem uma certa influência na sexualidade, mesmo que limitada, como eles necessariamente atuam ainda é uma informação vaga. Para a Science News, os autores declararam compreender a complexidade do tema e admitiram a dificuldade em coletar amostras que reflitam em uma análise mais diversa, considerando que apenas 5,5% dos usuários do Biobank e 1,5% do 23andMe participaram do banco de dados monitorado.

Para J. Fah Sathirapongsasuti, coautor e biólogo computacional da 23andMe, a dificuldade em definir concretamente como esses genes e aspectos sociais dialogam na construção da sexualidade é a prova da complexidade humana. Contudo, esclarece que o grupo não tem como intuito disseminar a noção que ser LGBT seja uma mera opção.“Só porque algo não é completamente genético ou sofre uma influência de agentes não-genéticos, não significa que seja uma escolha”, ressalta o biólogo.

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