25/03/2020 às 18h15min - Atualizada em 25/03/2020 às 18h15min

Estudos são feitos para mostrar se medicamentos existentes no mercado são eficazes para tratar a Covid-19

Algumas substâncias estão em falta nas farmácias; especialistas alertam sobre o risco de usar os medicamentos sem orientação médica

Por Isabela Tavares - Editado por Luana Gama
G1/El País/Galileu/ O Globo
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Com a rápida propagação do novo coronavírus pelo mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou, na última sexta-feira (20), o projeto ‘Solidarity’ (solidariedade, em inglês), que tem como objetivo realizar testes com quatro medicamentos existentes para o tratamento de pacientes diagnosticados com a Covid-19. Os medicamentos usados nos testes são: remdesivir, para o tratamento do vírus ebola; o ritonavir, que faz parte do coquetel de tratamento do HIV; a interferon-beta, uma molécula envolvida na regulação da inflamação corporal; e a cloroquina, utilizada para tratar malária e doenças autoimunes. Essa última, junto com a hidroxicloroquina, foram apontadas por estudos feitos nos Estados Unidois, China e França como promissoras no tratamento da doença causada pelo vírus.

Apesar dos estudos, ainda é cedo para dizer se essas subtâncias realmente são eficazes contra a Covid-19. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que vai se reunir com membros do G-20 ainda está semana e criticou o uso de remédios não testados contra o novo coronavírus. "O uso não testado de medicamentos sem evidências corretas pode gerar falsas esperanças, causar mais mal do que bem e provocar a escassez de medicamentos essenciais necessários para tratar outras doenças", advertiu. Sobre o projeto Solidarity ele afirma: "Pequenos estudos aleatórios não nos darão as respostas que precisamos. Quanto mais países se inscreverem no estudo, mais rapidamente obteremos resultados".

 

No Brasil, o Governo do Amazonas anunciou que está realizando uma pesquisa com o uso da cloroquina e outros medicamentos, para combater a Covid-19 em pacientes em estado grave no Estado. De acordo com o último balanço divulgado pela secretaria estadual de saúde, o Amazonas está com 47 casos confirmados e uma morte.

 

Com a divulgação dos estudos, algumas pessoas estão comprando os medicamentos sem prescrição médica, a exemplo da hidroxicloroquina, usada para combater malária, lúpus e outras doenças. Por conta disso, a procura do medicamento nas farmácias aumentou, tornando mais difícil a compra para quem realmente precisa do tratamento. Para evitar a falta da substância, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou que vai colocar a apresentação de receita médica como exigência para liberar o remédio. "Os pacientes que já fazem uso do medicamento poderão continuar utilizando sua receita simples para comprar o produto durante o prazo de 30 dias. A receita será registrada pelo farmacêutico que já está obrigado a fazer o controle do medicamento no momento da venda", esclarece a Anvisa. Além disso, a exportação do produto está proibida.

Riscos à saúde


Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump dizer que a cloroquina seria uma possível solução para combater o coronavírus, um homem morreu de parada cardíaca ao ingerir a substância junto com a esposa, que está internada em estado grave em um hospital no estado do Arizona. Ambos tinham mais de 60 anos e nenhum deles foi diagnosticado com o vírus. "Nós vimos a coletiva de imprensa, passou bastante [na TV]. Trump ficava dizendo que era basicamente uma cura e nós tínhamos medo de ficar doentes", disse ela. O casal ingeriu o fosfato de cloroquina, utilizado em aquários, que é totalmente diferente da substância usada no medicamento.

 
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