20/05/2020 às 16h43min - Atualizada em 20/05/2020 às 16h43min

Brasil é campeão em geração de lixo, de acordo com ONU Meio Ambiente

A cada 24 a produção de lixo se totaliza cerca de 240 mil toneladas

Guilherme Balbino
Divulgação CNM
  Um dos principais problemas que percorre no decorrer dos anos e assola até o momento na sociedade é a forma do descarte de lixo. Em todos os lugares, onde há o convívio de pelo menos uma pessoa, existe a produção de resíduos. Os resíduos sólidos urbanos abrangem os lixos domésticos e limpeza urbana, no qual em algumas situações não é descartado em local adequado, provocando sérios problemas para o meio ambiente. 
 
    Em média, uma família com 5 pessoas produz 1kg de lixo por dia e colocando todo o território do Brasil estima-se que a cada 24 horas é produzido 240 mil toneladas de resíduos. Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, no Brasil, 2018, foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos com um aumento de pouco menos de 1% em relação ao ano de 2017. A ONU Meio Ambiente classifica o Brasil como campeão em geração de lixo em relação aos países da América Latina.
 
    Além da produção exagerada de lixo, há o problema no descarte de toda essa produção, grande parte de tudo isso vai parar nos lixões, que são locais onde não há tratamento para evitar contaminação de solo e que contribui para o aumento da poluição e leva à ocorrência de alagamentos e diversos outros problemas que afetam milhares de vida.
 
 Em 2010, foi sancionado a lei federal 12.305/2010 que previa a extinção dos lixões em todo país em 2014. Apesar da lei, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi abandonada pelo governo, segundo informações divulgadas pelo Brasil de Fato, em 2019 foram contabilizados 3 mil lixões que permanecem em território nacional.
 
   Qual melhor caminho?
 
   Paulo Sergio, mestre e doutor em Química Ambiental, acredita que o caminho para as pessoas diminuírem a produção exagerada de resíduos, primeiro é ter a educação ambiental. “Só assim elas terão consciência do problema e exercerão a sua cidadania cobrando dos governantes que cumpram não só o seu papel, mas principalmente a legislação”, afirma.
 
   Sergio relata que gerar muito lixo é sinal de desperdiço e que para mudar a situação os governantes devem seguir exemplos como fazem os países desenvolvidos, na reciclagem e na coleta seletiva, além do que é indicado na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para ele, a solução para o fim dos lixões seria o aterro sanitário. “Um aterro sanitário obedece normas ambientais com a proteção para não contaminar o lençol freático, o chorume é tratado e o gás metano gerado é usado para gerar energia, além disso todo o lixo gerado iria para a reciclagem e compostagem”, comenta. Em relação a outras alternativas, como a queima do lixo, Paulo diz que “o problema de queimar o lixo para gerar energia é o custo. Na queima do lixo são lançadas substâncias tóxicas na atmosfera como as dioxinas. Os sistemas de tratamento dessas substâncias são muito custosos”.
 
    Consumo conscientizado
 
   Jesse Mendez, estudante de direto, mora no bairro Refúgio dos Bandeirantes em Santana de Parnaíba, onde está localizado um dos aterros sanitários que atende diversas cidades vizinhas. Ele conta que o lixo é coletado 3x por semana e o que é gerado na casa não é separado, o serviço de coleta não dá essa opção. “Tudo aquilo que é colocado para ser dispensado é coletado pelos garis e armazenado num mesmo compartimento no caminhão tipo compactador, ou seja, tipificado como domiciliar, não distinguindo os inorgânicos dos orgânicos”, relata.
 
   Mendez concorda em não ter conhecimento total no assunto, mas acredita que haja, por parte dos aterros sanitários, todo um cuidado e preparação no descarte dos lixos para minimizar os seus efeitos no solo. “Ainda acredito na responsabilidade dos aterros, embora já tenha visto alguns lixões que depositam seus resíduos a céu aberto, causando um mal cheiro insuportável, poluindo o ar, além de juntar moscas, urubus e outros bichos. Claro, nesse caso há um grande prejuízo do solo, pois é bem certo que o líquido produzido por esses lixos vão direto para o solo, causando uma grande contaminação”. Para ele, o consumo de maneira consciente seria um caminho para evitar o excesso de lixo, no caso de ir ao mercado, trocar as sacolas plásticas por uma reutilizável e assim diminuir o consumo exagerado.
 
   Governo Federal
 
   Em abril de 2019, foi lançado o Programa Lixão Zero pelo Governo Federal com o intuito de melhorar a gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil, por instrumentos que vão de acordos setoriais com a iniciativa privada a investimento e apoio técnico junto a estados e município.
 
   Segundo o Ministério de Meio Ambiente, o programa fechou um ano com uma série de ações concretas, entre elas, a transformação de lixo em energia, lançamento do SINIR, informação para apoiar a coleta e reciclagem, no descarte de eletrônicos 70 para 5 mil pontos apropriados até 2025, 200 já foram instalados, um repasse de 64 milhões para o programa, sendo 57 munícipios em 10 estados, em torno de 1,3 milhões de brasileiros atendidos. No site do ministério, detalha como anda o programa e relata que o papel é apoiar municípios na modelagem, apresentação de propostas e elaboração de projetos com o respectivo arcabouço jurídico, normativo e técnico.
 
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