10/09/2020 às 16h02min - Atualizada em 10/09/2020 às 15h37min

Quase metade da população brasileira se automedica uma vez por mês

De acordo com a ONU, anualmente, 10 milhões de indivíduos no mundo poderão falecer devido as enfermidades resistentes a medicamentos

Guilherme Balbino - labdicasjornalismo.com
Divulgação Portal MED
 

Quase todas as mulheres e homens já ouviram esta frase "toma esse remédio que você vai melhorar". No caso, ela é ouvida desde criança, quando se machuca ou sente dores, é indicado um medicamento para a cura e com isso deixa-se de ouvir uma opinião médica por conta disso, porém, esse ato de indicar e se automedicar está enraizado há anos no meio da sociedade.

É considerado a automedicação aqueles ingerem remédios para aliviar sintomas, sem qualquer orientação médica no diagnóstico, prescrição ou acompanhamento do tratamento. Antigamente, as pessoas encontravam o alívio de muitas dores e doenças por meio de plantas medicinais, sem terem muita informação, eles repassaram para amigos e familiares. 

Atualmente, o sistema de medicação evoluiu, com a tecnologia as informação são encontradas com mais facilidade, no entanto, o ato de se automedicar perdurou, devido pela troca de informações entre uns aos outros e pelas dificuldades em recorrer ao médico.

Segundo dados de uma pesquisa recente realizada em 2019, pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), através do Instituto Datafolha, quase metade da população brasileira se automedica, pelo menos, uma vez por mês e um quarto 25% o faz todo dia ou, no mínimo, uma vez por semana.

As mulheres são as que mais usam remédios por conta própria, pelo menos uma vez ao mês (53%). Familiares, amigos e vizinhos são os principais influenciadores na escolha dos medicamentos usados sem prescrição médica (25%)

O uso de remédios sem orientação médica é considerada a principal causa de intoxicação no país, de acordo com levantamento feito a partir dos atendimentos no Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp.

 

Em conversa com uma farmacêutica, que não teve autorização para se identificar, ela afirma que hoje o marketing que envolve as vendas dos remédios tem uma alta contribuição para a automedicação. 

“As pessoas devem procurar sempre um especialista, um farmacêutico ou um médico, se procurar a gente, podemos indicar um medicamento, mas se em 2 ou 3 dias não funcionar, ela deve imediatamente procurar um médico. Além disso, tem as indicações de amigos e familiares, porém é errado tomar essa ação, não é porque o remédio deu certo para um que vai solucionar seu problema também”, conta especialista.

“Também há a questão das tarjas, a vermelha pode ainda ser vendida sem retenção de receitas, porém apresenta riscos para o paciente, a preta apenas com o receituário, podendo deixar a pessoa dependente dele, e temos também os sem tarjas que ficam nos balcões com mais acessibilidade para todos”, finaliza a farmacêutica. 

 

Uma pesquisa realizada pela Revista de Saúde Pública informou que os analgésicos e os relaxantes musculares foram os grupos terapêuticos mais utilizados por automedicação, sendo a dipirona o fármaco mais consumido. No geral, a maioria dos medicamentos usados por automedicação foram classificados como isentos de prescrição (65,5%).

 

Evitam se automedicar

Lucas Borguezam, de 20 anos, pratica com frequência atividades físicas e evita tomar remédios sem necessidade, apenas faz o uso da loratadina, um medicamento comum, quando a rinite ataca.

“Minhas dores no corpo é tudo de exercício físico, então deixo passar, e dores de cabeça é sinal de fome, quando persiste alguns dias dias eu vou ao médico, pois tem as chances de ser lesão.”

“Eu acredito que a pessoa sempre que possível deve procurar um médico, pois os remédios são drogas que na dose e situação certa ajuda, mas com essas situações em desacordo pode piorar o estado do paciente ou não ter feito algum, além de, se ela procurar um especialista antes de se automedicar, tem menos chance de dar efeitos colaterais ou piorar a situação”, afirma o jovem Borguezam.

 

Já o Matheus Oliveira, de 20 anos, tem uma rotina de medicamentos controlados e afirma que evita tomar remédios sem orientação médica, nas vezes, que teve dores de cabeça, o corpo ou quando esteve com febre, ele foi sempre orientado por especialistas para tomar um medicamento adequado.

“Não acho correto se automedicar, porque o médico sabe qual remédio prescrever e como tomar, então é muito importante ouvi-los, pois ele entende se o medicamento vai fazer efeito ou não contra o problema”, relata Matheus, sobre a necessidade de procurar um especialista.

 

Se automedicam

Lucas Barão, de 21 anos, relata que só se automedica se a indicação vinher dos pais, senão só com orientação médica. “Quando sinto alguma dor, eu espero um tempo para ver se passa, caso persista, eu converso com meus pais para ver qual remédio devo tomar ou se devo ir ao médico”.

“Não confio em opiniões de fora, ao não ser dos meus pais, se eles conhecem bem, eu tomo, senão só com a opinião do médico.”

 

Já a Talita de Jesus, tem o costume de se automedicar em situações comuns, como cólica e dores no corpo e de cabeça. “Para eu buscar orientação médica, tenho que estar com muita dor”.

“Eu sempre busco informações na internet para determinada situação ou da minha mãe, muitas das vezes quando a recomendação vem de amigos ou familiares, eu normalmente busco confirmação na internet”, relata Talita.

Ela relata sobre o problema de procurar um médico para resolver o problema “Acredito que seja pela falta de tempo, até por preguiça de procurar ajuda, alguns tem fobia de médico também, né? Podem haver muitos fatores, no meu caso, sendo sincera, tenho preguiça  só de pensar em encarar o sistema de saúde. Porém acredito que em partes eu acho de boas você tomar um remédio (daqueles que tomamos no dia a dia), porque se formos procurar sempre ajuda, o sistema pode pesar”.

 

Alerta Mundial

De acordo com uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (ONU), divulgada em maio de 2019 alerta que, até 2050, 10 milhões de indivíduos no mundo poderão morrer a cada ano devido a enfermidades resistentes a medicamentos.

As infecções resistentes a remédios já causam, pelo menos, 700 mil mortes todo ano, de acordo com o relatório desta segunda (29). Dessas, 230 mil são por causa da tuberculose multirresistente. No Brasil, entre 40 e 60% das doenças infecciosas já são resistentes a medicamentos, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

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