01/05/2019 às 12h51min - Atualizada em 01/05/2019 às 12h51min

Resenha: Homecoming - A Film By Beyoncé

Um documentário que além de exibir todo um espetáculo, ressalta mensagens importantes para toda a nossa geração

Rafael Campos - Editado por Millena Brito
Divulgação/Netflix
Temos que reafirmar que a Netflix é uma empresa de streaming muito inteligente, e que conseguiu nascer justamente na hora e no tempo certo para  abrilhantar o seu sucesso. Hoje, ela é uma das principais formas de entretenimento, lazer, cultura e aquele famoso “quebra-galho” para os cinéfilos e viciados em séries.
Por isso, é valioso destacar a inteligência que ela obteve ao segurar na barra do vestido da cantora afro-americana Beyoncé, e juntos, fazer um acordo para que ela voltasse para os palcos de uma forma triunfal, como uma rainha deve ser vista.
Durante oito meses, a Netflix gravou todos os acontecimentos e momentos desde os primeiros ensaios para o festival Coachella – que acontece anualmente em Abril, na Califórnia, até a apresentação monumental da cantora.

Em si, todo o documentário que tem duração de aproximadamente três horas, é um paraíso para os fãs da cantora e um trabalho lindo para aqueles que apenas apreciam seu talento. Em 18 anos de festival, ela foi a primeira cantora negra a cantar em Coachella em 2018, um acontecimento tardio, mas nem um pouco surpreso para o contexto da atualidade.

Meus principais elogios não vão para a tão aclamada apresentação do show, e sim para as mensagens que são vistas nas entrelinhas deste documentário. O espetáculo é algo grandioso e contagiante desde o primeiro apito com as batidas de tambor feito pela parte da fanfarra. Ela surge brilhantemente como um evento, como algo esperado pelas lentes da câmera. A estrutura de palco é algo magnífico, e a sua novidade é que os 150 profissionais contidos nessa obra, incluindo banda e dançarinos, ocupam o mesmo espaço da cantora, incluindo palcos e estruturas metálicas, de forma amistosa e bem sincronizada.
Portanto, não é esta a importância, nem para a Beyoncé. Coachella foi um dos importantes festivais para a rainha, pois sua condição física para esta época não era uma das melhores. A diva se recuperava de sua gravidez arriscada, amamentando seus recém-nascidos e tentando voltar aos poucos àquela íncrivel Bey.

Ela precisou se dobrar nos ensaios para conseguir com maestria, abdicar de todos os movimentos corporais que suas músicas exigiam. Um fato até engraçado visto no documentário, é quando ela consegue vestir um de seus figurinos antigos, mostrando seu empenho em ter conseguido voltar ao seu corpo anterior. E ainda critica quando ela tenta mostrar a sua nova conquista ao marido Jay-Z, e ele não faz muita questão. Ela rebate com as suas amigas a reação do cantor de rap, dizendo que todos os homens são iguais e nunca vão entender desses assuntos. (Talvez ela tenha razão).
Beyoncé também relata com frequência o papel da raça negra em seu show e a sua suprema importância. Ela diz que os bailarinos foram escolhidos a dedo e que um dos principais requisitos para a seleção, era mostrar através da dança, a história e a cultura de cada um, contendo as mais variadas diferenças, para que o seu público possa conhecê-los e prestigia-los, assim como são. Ela completa que conseguiu fazer desse lugar, a sua segunda casa, seu lugar seguro e de pertencimento. Fato que me lembrou muito do filme Pantera Negra (2018), quando falamos do universo de Wakanda.
É perceptível ver em todo o documentário, que a sua luta contra o racismo é gigante, mas insistente. Ela compôs todo o seu balé e sua banda de negros e pardos, e essa é um dos principais motivos para sua volta. Ela queria que fosse assim, foi algo planejado, porque ela entendia a relevância de Coachella para o mundo, então ela se aproveitou e trouxe a sua própria identidade. Particularmente, é de encher os olhos ver todo aquele emaranhado de gente em cima do palco, que diz ser uma minoria, mostrando seu talento com empenho e muita dedicação.

Por último, Beyoncé fala sobre feminismo, colocando isso explicitamente em um de seus números musicais, um não, vários. É nítido ver essas mensagens sobressaírem de um documentário que tinha o apelo de ser só entretenimento, mas ela conseguiu se tornar cultura. E foi tão forte para o festival, que Coachella, passou a se chamar Beychella, como forma de mostrar que a presença dela naquele lugar, foi algo extremamente surreal.

O documentário possui seus poucos lados mornos também, mas não se pode cobrar de uma rainha, que todos os segundos do documentário precisam ser arrepiante. Porém, a mensagem é dada com sucesso. Em meio a tantos preconceitos, Beyoncé se torna importante para o contexto social. E a Netflix, talvez seja uma das causadoras de tudo isso, pois preparou há mais de um ano, todo este espetáculo, esta obra chamada Homecoming: A Film By Beyoncé.

Justamente, obra lançada quando as maiorias precisam ouvir, que as diferenças existem para serem incluídas. E ouvir logo da boca de Beyoncé, uma das principais e relevantes cantoras dessa geração.  Ela é importante sim!

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