05/02/2021 às 14h45min - Atualizada em 05/02/2021 às 10h22min

Com renda fixa perdendo atratividade, outros modelos de investimento conquistam milhares de pessoas

Em 2020, a bolsa de valores oficial do Brasil (B3), ultrapassou a marca de três milhões de pessoas físicas cadastradas. Um aumento de aproximadamente 92% comparado ao mesmo período de 2019

Giovanna Toledo - Editado por Ana Paula Cardoso
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A alta na Bolsa de Valores se deu pela redução da taxa de juros básicos no país. George André Sales, graduado em Ciências Contábeis pela Universidade de São Paulo e doutor em Administração de empresas, na linha de pesquisa em finança, pela Universidade Presbeteriana Mackenzie, afirma que “quando a taxa selic chega a 2% ao ano, com uma inflação de 4,5%, os investimentos de renda fixa perdem a atratividade”. Isso porque, a rentabilidade desse modelo não está boa o suficiente e, "as pessoas preferem correr o risco, que é a volatilidade dos papéis em renda variável”.

 

Conforme o número de pessoas físicas cadastradas cresce, a liquidez no mercado acompanha. Com mais gente negociando, surgem mais oportunidades de compra e venda, logo “isso aumenta a percepção de negociação", explica o doutor. Além de trazer benefícios para o mercado, esse aumento também é interessante para as empresas.

 

Com a chegada do coronavírus no Brasil, em fevereiro de 2020, houve uma queda de quase 50% na bolsa. O Índice Bovespa fechou março com o pior desempenho mensal em mais de 20 anos, chegando a marcar 63.569 pontos comparado com 114,586 pontos de semanas anteriores. “Esse momento mostrou para os novos investidores que a bolsa pode ser muito severa quando se trata de perdas”, destaca. Ele ainda afirma que o cenário causou um lapso temporal grande, uma vez que a queda expressiva aconteceu em um mês e só se recuperou dez meses depois.


Para enfrentá-la as pessoas precisam estar cientes da volatilidade que existe dentro do mercado de capitais e ter em mente que esse modelo de investimento responde melhor à longo prazo do que necessariamente em um curto período. De acordo com Sales, se existe uma perspectiva de que a economia vai reagir e voltar a crescer, “é preciso analisar quais empresas têm capacidade de crescimento nesses períodos e fazer a locação de seus recursos lá”. Ainda acrescenta, que para isso é preciso acompanhar as mudanças periodicamente, com uma frequência maior, do que investimentos de renda fixa.
 

O famoso day trade, que na linguagem financeira, significa comprar e vender ações no mesmo dia de negociações “é uma falácia que prejudica os novatos nesse setor”. Isso se dá porque eles acreditam que o mercado é previsível e moldável, quando na verdade é o contrário.

Guilherme Casaca, 19, investe há mais de um ano e destaca que sua maior dificuldade neste período foi entender que “no curto prazo todo tipo de cenário é possível, e que o mercado tende a ser muito volátil”.

 

Segundo um estudo feito pelo B3, publicado em 14 de dezembro, a nova safra de investidores tem em média 32 anos e tem ações como o principal produto de investimento. Em março de 2020, haviam 1,7 milhões de pessoas físicas (CPFs) com posição em ações, comparado a 600 mil em 2018.

Quanto mais pessoas buscam o mercado de renda variável, um aumento no Índice Bovespa ocorre. Consequentemente, isso gera ganhos expressivos, e segundo George Sales, “nessa hora surgem os “gurus da internet” fazendo publicidade e indicando quais são as melhores empresas para investir”. 

 

As redes sociais foram aliadas para o aumento de pessoas interessadas no mundo dos investimentos, fazendo com que os antigos aproveitassem para vender sua experiência no mercado, por meio de cursos ou vídeos gratuitos com dicas e vantagens. Antes de começar a investir, Guilherme eclara ter visto muitos vídeos, ter realizado cursos gratuitos e outros dentro de plataformas pagas, “além de estar sempre de olho nas notícias e em grandes figuras do mercado”.

REFERÊNCIAS

B3 divulga estudo sobre 2 milhões de investidores que entraram na bolsa entre 2019 e 2020. B3. 14/12/2020. Disponível em: http://www.b3.com.br/pt_br/noticias/investidores.htm. Acesso em 04 de fev. 2020.

Bovespa fecha em queda após pior mês em mais de 20 anos. G1. 01/04/2020. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/04/01/bovespa.ghtml. Acesso em 04 de fev. de 2020.

 

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