29/04/2021 às 20h57min - Atualizada em 29/04/2021 às 20h53min

Consequências do uso de agrotóxicos no solo

O constante uso de agrotóxico pode agredir e prejudicar o solo e o meio ambiente?

Núbia Umbelino - Editado por Letícia Agata
Foto: Reprodução
O agrotóxico é um produto químico que altera a composição da flora e fauna com o objetivo de evitar doenças, insetos ou plantas daninhas que prejudicam as plantações. A grande polêmica, porém, em relação aos agrotóxicos se deve aos efeitos prejudiciais de sua utilização, representados por doenças, contaminações e, claro, as consequências ainda desconhecidas que podem ser causadas por eles. A engenheira agrônoma, Jakelline Beraldo Bernini, explica que, apesar de ser visto com vilão para muitos, seu uso é indispensável.
 
“Avaliando todo o cenário produtivo atual, se torna impossível realizar uma produção sem o uso correto dos defensivos agrícolas. A produção em larga escala é importante, pois auxilia em todo o cenário econômico do país, além de suprir demandas tanto internas, quanto externas” cita Jakelline Beraldo.
 
A agrônoma também explica que em relação à contaminação, se utilizados de forma incorreta, os agrotóxicos podem poluir o solo. Entretanto a contaminação de afluentes é muito mais comum. No solo a taxa residual é muito baixa, além dos seus níveis de percolação no perfil:

 
“Os agrotóxicos, utilizados conforme a prescrição de um engenheiro agrônomo, seguindo os padrões de aplicação, quantidades adequadas, em culturas ao qual o mesmo esteja liberado pelo órgão fiscalizador do seu estado para seu uso, os riscos de contaminação são mínimos”, diz a engenheira agrônoma.
 
Em casos de acidentes ambientais, nos quais há a contaminação com uma alta quantidade de produto, pode haver alterações na biota (conjunto de seres vivos, flora e fauna, que habitam ou habitavam um determinado ambiente geológico, como, por exemplo, biota marinha e biota terrestre) do solo. No caso de aplicações incorretas e sem seguir as recomendações, pode ocorrer principalmente resistência do problema alvo, além de um segundo problema, que é a deriva. Mas para chegar a um nível de impacto no solo de forma considerável, os níveis de concentração devem ser muito altos no local.
 
Para o estudante de agronomia, Vitor Gabriel Campos, a forma como os agrotóxicos são usados e preparados pelos pecuaristas afeta e prejudica o solo:

 
"No meu ponto de vista o modo de preparo impacta negativamente no solo. Existem vários modos de preparar o solo e não impactar na terra, que são os meios ILPFs (Integração a Lavoura Pecuária e Florestas). Em determinado período, os produtores plantam a lavoura, criam o gado e fazem o reflorestamento dentro de sua área, o que não traz prejuízos para o meio ambiente”, diz Vitor.
 
Sendo assim, os problemas ocorridos pelos agrotóxicos não justificam seu uso, visto que com estudos e transações genéticas nas sementes das plantas é possível que elas germinem e combatam seus próprios agentes, como as ervas daninhas, sem precisar de agrotóxicos, além do manejo reciclável adequado para os produtores que ajudam o meio ambiente através de um ciclo ILPF, que na propriedade podem ser realizados três ou mais categorias de produção que não acarretam danos.
 
É possível produzir sem agrotóxicos
 
O uso de agrotóxico interfere na saúde humana, porém há como produzir sem os agrotóxicos. Como exemplo temos os pequenos agricultores, as monoculturas, como plantação de hortaliças, que em determinadas hortas não utilizam agrotóxicos e não degradam o meio ambiente devido a diversos fatores. Um deles é que as hortaliças são de fácil cultivo, semeação e adubação, diferente do algodão, milho, entre outros. As hortaliças não necessitam da preparação, adubação e fertilização do solo. Há poucas ervas daninhas e essas são de fácil combate, não necessitando do uso de agrotóxicos. Outrossim, são rápidas para germinar e produzirem, e podem ser adubadas com lixos orgânicos, como esterco de animais 
 
Entretanto, em lavouras é difícil deixar de usá-lo. É comparado com o vício em cigarros ou outros, explica o estudante agrônomo:

 
“É improvável deixar de usar os defensivos nas lavouras. É necessário estudo, avaliação das plantas, modificações genéticas, para que assim possam produzir sem a aplicação de nenhum defensivo agrícola, trazendo melhorias e não maleficiando o meio ambiente”.    

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