27/05/2021 às 19h16min - Atualizada em 27/05/2021 às 18h14min

Tem lixo acumulado no espaço

Detritos espaciais podem ser prejudiciais para satélites e espaçonaves em atividade

Paulo Marques Pinto - Editado por Manoel Paulo
Galileu, Toda Matéria, Wikipédia e Brasil Escola
ESA

O lixo espacial é formado de fragmentos de peças, ferramentas, restos de tinta e equipamentos espaciais lançados no espaço e que permanecem em órbita. Se caírem na atmosfera da Terra, podem apresentar graves riscos. Os pedaços são depositados depois de pesquisas para o lançamento de foguetes e satélites artificiais.

O detrito espacial mais longevo de que se tem notícia vem do segundo satélite norte-americano chamado Vanguard 1, que foi lançado em 1958 e funcionou por seis anos. De acordo com a BBC Brasil, já caíram do espaço uma luva, duas câmeras, sacolas de lixo, uma chave de boca e uma escova de dentes.

É muito difícil contar quantas toneladas de lixo espacial estão em órbita. Esse procedimento depende do uso de radares e telescópios ópticos na Terra e no próprio espaço. Geralmente, as agências espaciais internacionais conseguem analisar as peças maiores. Contudo, a NASA calcula que há cerca de 4 mil satélites na órbita da Terra, inclusive o pioneiro Sputnik, lançado pela extinta União Soviética em 1957.

No dia 29 de março, um estudo científico elaborado por pesquisadores da Eslováquia, da Espanha e dos Estados Unidos mostrou que a poluição espacial faz brilhar o céu noturno em mais de 10% acima dos níveis de luz natural. Esse é um dos efeitos dessa sucata jogada no espaço.

O autor principal, Miroslav Kocifaj, calculou em conjunto com os demais cientistas as estimativas de número e tamanho de objetos descartados nos últimos trinta anos, como satélites ativos e peças de foguetes. O mais preocupante, para eles, é o lançamento de enormes satélites para tornar a conexão com a internet mais veloz, por intermédio da SpaceX, chefiada pelo bilionário Elon Musk, com o seu programa Starlink.

Várias propostas para eliminar a sujeira do espaço foram propostas, o que começou pela NASA, em 1995. Dois anos depois, o governo dos EUA criou Práticas Padrões para Mitigação dos Detritos Espaciais. Um acordo entre dez países, formulado em 2002, deu origem a uma série de linhas de conduta formalmente entregue à ONU no ano seguinte.

Entre as medidas, estão trazer os dejetos de volta para a Terra, tirar os satélites de órbita quando encerrada sua vida útil, levá-los a uma órbita cemitério. Outras estratégias incluem rebocadores automatizados, vassouras de laser e bolhas de aerogel. Mas, até agora, a única proposta levada em prática é a prevenção de colisões e novos detritos espaciais.

Não devemos ficar com medo ao ouvirmos falar em lixo espacial. O risco é maior para satélites ativos, espaçonaves tripuladas e novas expedições espaciais. Segundo o professor de Geografia Régis Rodrigues, muitos destroços, ao entrar na atmosfera, são queimados e destruídos. Saindo dessa barreira, caem nos oceanos, que correspondem a 75% do volume do planeta.


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