22/07/2021 às 12h10min - Atualizada em 21/07/2021 às 14h37min

Como o cool é definido no mundo fashion?

Uma discussão sobre estilo, personalidade e pessoas que inspiram e influenciam tendências

Danielle Vaz - Editado por Clara Molter Bertolot
O icônico look de David Bowie, um dos maiores trendsetters do mundo fashion. | Reprodução: Elle

Quando pensamos em moda, materializamos um ícone, um trendsetter, pessoas com influência que inspiram e criam tendências. Dependendo da época em que estamos, existem figuras emblemáticas, e que por onde passam, ilustram o significado de cool.

Escrevendo essa matéria logo pensei em três nomes que fizeram parte da minha jornada pessoal, pesquisando sobre moda e cultura: David Bowie, Rihanna e Cher. É, todos são cantores, mas pessoas que você "bate o olho" e já sente que nasceram com essa energia. 
Frequentemente me deparo com um tweet ou uma reportagem no estilo “é feio até Rihanna usar”, pessoas que discordam e pessoas que não entendem como esse fenômeno acontece. Mas o cool seria criar um movimento de contra tendência?




Na indústria fashion a profissão de Coolhunting (o “caçador do legal”), apareceu pela primeira vez no final dos anos 1990, quando o colunista Malcolm Gladwell acompanhou o dia de uma amiga que trabalhava na Converse, como pesquisadora do nicho, analisando jovens do subúrbio. Por essa razão, publicou o famoso artigo “The Coolhunt” - Who decides what’s cool? Certain kids in certain places — and only the coolhunters know who they are (O coolhunt: Quem decide o que é legal? Certas crianças em certos lugares - e apenas os coolhunters sabem quem eles são). 


O trabalho do coolhunting é buscar tendências, antes mesmo de ser percebida como uma. Normalmente, o cool se encontra em tudo, desde roupas, comidas, texturas, sons, conversas, pessoas, e tudo que faça entender como comportamento e consumo se desenvolvem. Hoje os os coolhunters não existem só no mundo da moda, como também na indústria de cosméticos, alimentícia e tecnológica. 


Para Érica Roberto, coolhunter e designer na empresa ID;BR Coolhunting, o cool é um termo que está sempre em movimento, acompanha a história e a sociedade. Como profissional da área, é sua função captar o espírito de cada tempo. Ela ainda explica que encontrar o cool não é uma tarefa fácil, porque foge do comum, sendo necessário construir um repertório cultural, e estar sempre em alerta às manifestações de todas as áreas.


Demonstrar sua personalidade, utilizando tendências de seu tempo e referências do passado, é o que denomina ser legal. Érica explica como percebe o cool na moda, além de pontuar que marcas precisam investir em branding, e conhecer o seu público-alvo muito bem. Ela explica o que uma pessoa precisa ter para se considerar interessante nesse ramo:

“É preciso ter curiosidade para buscar o novo, e coragem para arriscar. Acredito que uma pessoa que sabe usar suas potencialidades, se conhece bem, e tem mais facilidade de mostrar o que há de mais cool em si, por meio da moda”, declara a coolhunting.



Movimentos de contracultura como hippies ou punks são deslocamentos comuns ao comportamento humano, e explicam muito bem como funciona o cool na moda. Normalmente, são dentro dessas narrativas de contrapartida das tendências e explorando referências marginalizadas que se encontram os trendsetters, pessoas com autoridade que influenciam e inspiram outras. 

Para Vick Cammie, influenciadora e designer, uma pessoa cool é multitarefa no campo da arte, segue o contrário das tendências e expressa sua personalidade sem se importar com a opinião alheia:

"Ser cool é tu fazer as coisas sem se importar muito com o que os outros pensam. E também às vezes tem alguns preconceitos assim, tipo, estéticos. Por exemplo, as pessoas adoram odiar Crocs, as pessoas adoram odiar Romero Britto, Comic Sans, eu acho muito cool quem quebra essas opiniões que todo mundo acha a mesma coisa, e vai contra isso, e usa algo meio polêmico”, declara Vick.


Vick Cammie tenta compartilhar o pensamento de que acha legal "as pessoas tirarem ideias fora da caixa", em suas postagens no Instagram, mesmo que seja perceptível tendências em seu conteúdo. Para ela, seguir uma tendência é como se encontrar enquanto grupo, mas a influenciadora vai em busca de novidades: “Aquela sensação de tá todo mundo curtindo alguma coisa e tu também quer curtir junto, mas ao mesmo tempo, eu gosto muito de trazer uma novidade, tentar inspirar as pessoas com algo que elas não estão acostumadas a ver. É, tipo, "pensar um pouco fora da caixa", mesmo. Geralmente, são referências que eu vou reciclando, assim. É, eu vejo algo legal na internet e eu transformo isso pro meu universo, assim”, explica a influencer.

Assim como nas tendências, todos temos inspirações, pessoas que se comportam de uma forma que atrai nossa atenção. Quando nos vestimos, acabamos nos inspirando em alguém, e criamos o nosso próprio estilo. O legal muda conforme nos transformamos, afinal, somos inconstantes e complexos demais para limitar o que é cool.


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