22/11/2021 às 20h25min - Atualizada em 28/10/2021 às 14h01min

Mídias sociais como instrumento de evangelização

Com a pandemia da Covid-19, a comunicação virtual se tornou uma ferramenta importante para atividades de igrejas

Thuany Menezes - Revisado por Liliane de Lima e Giovana Rodrigues
Fonte/reprodução: Vatican News
A pandemia da Covid-19 tem como uma das principais medidas preventivas o distanciamento social. Diante desse cenário, as Igrejas, sobretudo, as Católicas, suspenderam as celebrações e quaisquer atividades presenciais com seus paroquianos, a fim de preservar a vida dos mesmos evitando que se aglomerem. Logo, a comunhão encontrou uma nova vivência, em que foi preciso se reinventar para que os fiéis permaneçam conectados com Deus.
O Padre Tiago Alberione, fundador da família Paulina, afirmava que “se os homens não vão mais à igreja, a igreja deve ir até eles, entrando em suas casas com a mensagem do Evangelho”, sua fala cabe perfeitamente para retratar o momento atual pois, apesar da Igreja Católica ter a comunicação fortemente presente desde o início de sua criação, o processo de aceitação aos meios de comunicação foi lento, e apenas recentemente que tal adesão foi intensificada por meio da adoção de transmissão da Santa Missa pelo Facebook, YouTube ou até pelo Instagram, além de momentos oracionais online para que seus fiéis pudessem permanecer firmes em oração mesmo que em casa.

Segundo o documento Aetatis Novae, “a evangelização atual deveria encontrar apoio na presença ativa e aberta da Igreja no mundo das comunicações”, além disso, pontua também a necessidade de pessoas envolvidas em trabalhos de comunicação na Igreja, acompanhando os impactos dos mass media no campo eclesiástico.

A importância de comunicadores usando seus meios para evangelizar cresce cada vez mais. Em algumas paróquias há a Pastoral da Comunicação (PasCom), que serve de ponte entre o pároco e os paroquianos. O coordenador da Pastoral da Comunicação, Antônio Marcos, da Paróquia São Sebastião em Três Rios (RJ), conta que foi por meio da pandemia que a PasCom tornou-se mais evidente, deixando de ser considerada apenas como a “pastoral das fotos”. Isto pois a mesma atuou - e atua - como um instrumento de união dos fiéis em casa à Santa Missa.
 

“Foi através da pandemia que a equipe de nossa Pascom aumentou em número de agentes, devido a grande demanda de transmissões das missas. Em nossa paróquia, por exemplo, mantivemos as três missas diárias celebradas, mesmo com as portas fechadas. Todas transmitidas por nosso Facebook e YouTube. Podemos dizer que, literalmente, a Pastoral da Comunicação foi a única pastoral que não parou com os trabalhos durante a pandemia, muito pelo contrário!” relata o ‘pasconeiro’ ao refletir no impacto que a pandemia provocou na pastoral.

Igreja doméstica

Enquanto de um lado há os membros da comunicação que não pararam em momento algum, do outro há os paroquianos que se viram perdidos ao não poderem ir à Santa Missa nem participar das demais atividades em suas paróquias.

 

Primitivamente, os cristãos perseguidos se reuniam em pequenos grupos, em grutas, e, às vezes, apenas entre pais e filhos com a finalidade de professarem sua fé. Assim, o termo Igreja doméstica tem o objetivo de incentivar as famílias, ou pessoas que residem na mesma casa, a se unirem para celebrar o mistério que aconteceria nas igrejas - embora não seja possível vivê-lo verdadeiramente em casa, é um modo de ajudar a não se perder no caminho espiritual.

 

A igreja doméstica é o corpo amplo da igreja institucional (...) a família é uma igreja doméstica: o que se ensina na igreja deve ser o que se ensina em casa (...) e as mídias tornaram-se ferramentas essenciais, ajudando a fazer uma quebra de paradigmas de como seremos igreja a partir de agora" afirma o Padre Cristóvão, SVD.

 
Com a pandemia e sem a possibilidade de sair de casa, as famílias começaram a passar mais tempo com todos juntos e, consequentemente, os momentos que antes eram vivenciados individualmente passaram a ser em conjunto - como uma oração do Santo Terço ou a participação da Santa Missa. Severina da Silva - Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão Eucarística (MESCE), da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Brasília (DF) - conta que, embora tenha sido difícil no início a adaptação ao modo remoto, este momento de isolamento social permitiu que a igreja doméstica em sua casa fosse intensificada, de modo que facilitou da maioria em sua casa participar do momento oracional juntos, além da Santa Missa ou do Terço das Mães que oram pelos filhos.




 



Evangelização digital: será que é realmente a boa? 

Vale ressaltar que tais transmissões não se restringem apenas aos fiéis locais, mas também a pessoas de outras localizações, como é o caso de Severina, mencionada anteriormente, que acompanha a programação da Paróquia São Sebastião, de Três Rios (RJ), e define sua percepção sobre a Pascom como “a alma da paróquia e o auxílio na evangelização em massa”.

Muitos vêem ainda a evangelização digital com uma certa desconfiança, enxergando-a como algo prejudicial à vivência da fé. No entanto, embora tenha seus desafios e seus pontos negativos, é necessário levar em consideração que, atualmente, as pessoas estão cada vez mais em rede devido a correria do dia a dia e ao avanço tecnológico cada vez maior. Como a Igreja é chamada a buscar, encontrar e a anunciar a Deus também nesse ambiente, o uso dos meios digitais para evangelizar torna-se essencial além de quebrar paradigmas sobre como é ser Igreja neste tempo.

 

“Ou seja, ter a humildade de “descalçar as sandálias” diante dessa “terra santa” para, em primeiro lugar, conhecer e compreender as novas modalidades de relação e de comunicação que vão surgindo nesse ambiente, a fim de que a Igreja possa dialogar com a sociedade contemporânea a partir dessas novas linguagens e práticas.”

 
Isto explica o porquê de, mesmo com o retorno gradual de algumas atividades presenciais nas paróquias, as pessoas continuarem a acompanhar as transmissões ao vivo e outros momentos online. Com a rotina conturbada que vivemos, nem todo dia há como ir a Santa Missa presencial e, por vezes, momentos como a oração do Santo Rosário são deixados de lado ou não terminados pelo cansaço. 
 
“Atualmente, aproveito os momentos online quando não posso participar presencialmente (...) alguns momentos de oração que antes ao fazer sozinha não chegava até o fim, mas, na mídia, de certa forma, não nos sentimos sozinhos. o que motiva a terminar a oração.” relata Severina sobre a importância da mídia em sua vida espiritual.















 




A tendência agora é investir cada vez mais em formações, transmissões e formas de abranger mais o meio digital, a fim de que o Evangelho seja anunciado da melhor maneira e, assim, alcance um número cada vez maior de pessoas. Todavia, por mais que tal modo de evangelizar seja necessário, vale frisar que não é o suficiente. Melhor dizendo, aproveitar as oportunidades que o meio digital oferece de propagar o Evangelho de forma rápida e prática é essencial, porém é preciso usá-lo com sabedoria e lembrando do que o Santo Padre, o Papa Francisco, nos diz: nós, cristãos, não temos um produto para vender, mas uma vida para comunicar”.


Referências:

“A família como Igreja doméstica e o legado pós-pandemia”. Diocese de Santo André, 2020. Disponível em: <https://www.diocesesa.org.br/2020/04/a-familia-como-igreja-domestica-e-o-legado-pos-pandemia/ Acesso em: 02/10/2021
 

PIRO, Isabela. “Comunicar em tempos de Covid-19: a força das redes sociais”. Vatican News, 2020. Disponível em:                                                               <https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/redes-sociais-covid-19-comunicacao-evangelizacao.html> Acesso em:03/10/2021

 

ROSOLEN, Nayara. “Pandemia acelerou o contato da Igreja por meio das mídias sociais”. Central de Notícias Uninter, 2020. Disponível em: <https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/redes-sociais-covid-19-comunicacao-evangelizacao.html> Acesso em: 03/10/2021
 

“Igreja doméstica na pandemia”. Arquidiocese de Vitória, 2021. Disponível em: <https://www.aves.org.br/igreja-domestica-na-pandemia/> 02/10/2021
 

OLIVEIRA, Inês. “Igreja doméstica, redes sociais e pandemia: estudo de caso da Arquidiocese de Juiz de Fora”, 2021. Acesso em: 06/10/2021

 

 

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