04/11/2021 às 23h14min - Atualizada em 04/11/2021 às 22h39min

UP- Altas Aventuras: um aprendizado sobre dizer adeus

Repleta de mensagens reconfortantes, a animação também pode nos ensinar a lidar com as perdas!

Letícia Aguiar - Editado por Larissa Bispo
Reprodução/Portal do Curta
Uma casa pelos ares, milhares de balões, um senhor buscando encontrar novamente o seu espírito aventureiro e um menino tagarela que anseia a medalha de “ajuda ao idoso” dos exploradores da natureza. Esses dois, totalmente opostos, possuem um destino em comum: América do Sul. Será que essa dupla inusitada te faz lembrar de alguma coisa?

Se você pensou no filme “Up-Altas Aventuras”, você está certo. Composto por uma narrativa cheia de ensinamentos, o longa, com certeza, pode ser uma boa opção para falar sobre “ele”, o luto, que muitas vezes acaba passando longe dos diálogos. É por esse processo que Carl Fredricksen, protagonista da trama, está passando, após perder sua amada Ellie.

Apesar do momento doloroso, Carl acaba encontrando uma inesperada aventura ao lado do garotinho Russell e descobrindo que sempre é possível recomeçar, mesmo quando uma pessoa que amamos não está mais entre nós. Desse modo, na ausência física, as lembranças acabam se tornando grandes aliadas.

Memórias, são elas as principais companheiras de Jackeline Alves quando bate a saudade da sua amada avó, dona Maria. Há pouco mais de oito meses, “Jack”, como seus amigos a chamam, precisou ver dona Maria partir. Depois de um longo processo de luto, que ainda continua, a estudante de Direito vem retornando aos poucos com a rotina, pois, como ela mesma diz, “essa é a minha forma de homenagear minha avó”.



Assim, Jackeline segue com boas recordações. “Não é fácil, mas é preciso ser forte para seguir a rotina, eu venho lidando com boas lembranças, pois é preciso continuar a vida, feliz ou infelizmente, ela não para”, disse. Ainda que ela consiga falar abertamente sobre o assunto, o tema não é amplamente discutido entre muitas pessoas do nosso país.

De acordo com uma pesquisa do Studio Ideias, 74% dos brasileiros não falam da morte no seu cotidiano e associam a temática a sentimentos como angústia, dor, tristeza. Sendo uma parcela pequena dos que ligam a morte a sentimentos de libertação e aceitação. Além da perda em si, o estudo mostrou que no Brasil 82% das pessoas não sabem lidar com o “depois da perda” e a dor que pode surgir a partir daí.

Dessa forma, as perdas podem ser vivenciadas de maneiras diferentes, não havendo um “parâmetro” a ser seguido. Segundo a psicóloga Fernanda Alves, o luto não é linear e nós precisamos entender as particularidades de cada um e as emoções que podem surgir no momento. “Para que uma pessoa possa retomar com maior normalidade, dentro do possível, à sua rotina, é importante que ela se sinta segura e amparada pelas pessoas próximas e tenha suas emoções respeitadas, sentindo-se, gradativamente, mais capaz de cumprir suas atividades rotineiras”, falou.

Guiado pelo cotidiano e pelo tempo, Rafael Reis segue em frente após ter dado adeus aos seus dois pets, a cadela Kira e o gato Chiclé. Kira era uma companheira de longa data para o estudante de Jornalismo, e por ter sido seu primeiro animal doméstico, Rafael sentiu o coração apertar um pouco mais depois de sua partida. Com o passar dos anos, Chiclé também se foi.



O futuro jornalista se despediu de dois grandes amigos, mas como Jackeline, deu espaço às memórias felizes e não descarta a possibilidade de ter novos pets. “Se você ama animais, como eu, não desista de cuidar de outros após a perda. Os que passaram nunca poderão ser substituídos, mas os novos trarão novamente a alegria para dentro de casa", afirmou.

Semelhante à perda de pessoas, a partida de um animal pode ser muito dolorosa. Conforme a psicóloga Fernanda Alves, os animais domésticos participam da rotina das famílias como membros delas, partilhando memórias e alegrias. No momento em que vão embora, acabam deixando saudade pelo caminho. “Quando um animal querido falece, ele também deve ser homenageado, celebrado e ressignificado na história de quem o amava”, explicou.

Portanto, não há como mensurar a dor de ver alguém partir; o luto pode deixar marcas durante uma vida toda e cada um vai vivê-lo de uma maneira diferente. Mas assim como Jackeline, Rafael e o corajoso personagem Carl, é possível “continuar a nadar”, mesmo que a maré não esteja tão favorável!

 
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