17/12/2021 às 12h03min - Atualizada em 17/12/2021 às 11h57min

As vozes que dão voz

Interpretando os mais diversos personagens, os dubladores fazem um trabalho de verdadeiros protagonistas

Letícia Aguiar - Editado por Andrieli Torres
Reprodução/ O Barquinho Cultural
Você já se perguntou quem são as vozes por trás dos seus personagens favoritos das obras audiovisuais? Desde os filmes às séries, são elas que dão vida a diferentes figuras, fazendo com que tenham uma voz característica na nossa mente. Por exemplo, se você pensar no destemido caubói de Toy Story, o Woody, com certeza uma voz acaba de se instalar na sua lembrança, não é?

Pois bem, essas vozes são provenientes dos mais diversos atores. Embora eles fiquem nos “bastidores” o seu protagonismo é inegável, porque seus timbres podem estar dentro de muitas memórias afetivas. Quem aí não está lembrado da voz característica de Adam Sandler, pivô das nossas mais audíveis gargalhadas? A dublagem de Adam é feita por Alexandre Moreno, que também tem em sua carreira muitos outros nomes da ficção, como Bilbo Bolseiro e o Gato de Botas.



Outra referência é Selma Lopes. Com sua “carteirinha carimbada”, Selma é a clássica voz de Margie Simpson e de qualquer papel de Whoopy Goldberg. Representando as vozes de personagens femininas marcantes, a atriz ainda dublou a Vovó Fa em Mulan, Mama Odie em A Princesa e o Sapo, Vovó Willow em Pocahontas e as bruxas em A Viagem de Chihiro, além de muitas outras.



Dessa forma, engana-se quem pensa que a dublagem é somente “dar” a voz, dublar, aqui no Brasil, também é interpretar a fala e “encenar” a voz a partir disso, muito diferente do que ocorre em outros países como a Rússia. No país do branco, azul e vermelho, todos os personagens possuem uma única voz, sejam eles adultos, idosos ou crianças. Clique aqui e conheça outros nomes da dublagem brasileira.

Mais que interpretação de caracteres importantes, essa técnica é capaz de abrir outras portas: as da acessibilidade. Para pessoas com alguma deficiência visual a dublagem significa ter acesso às obras audiovisuais. Ademais, ela ainda é porta de entrada para as pessoas analfabetas que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no nosso país tropical são mais de 11 milhões de cidadãos sem saber ler ou escrever.  

Embora não faça parte desses 11 milhões, dona Célia, 71, adora os filmes dublados, pois eles não dividem a sua atenção entre o ler e o assistir. Ela ama captar todos os detalhes das obras cinematográficas e acompanha tudo com um olhar muito atento. De acordo com Célia, as legendas acabam “correndo demais”. “Eu prefiro assistir os filmes dublados porque as legendas passam rápido e acabam tirando a minha concentração da cena”, disse.

Esse ritmo “trem bala” das legendas tem um motivo. Nas produções legendadas o texto é descrito conforme a tradução das falas, assim, ele precisa estar contido no momento em que a fala é traduzida ou reproduzida no idioma original. Dessa forma, o timing se dá através do tempo do texto. Já na dublagem, o cronômetro funciona somente pela fala, ou seja, os lábios do personagem em movimento.



Além de ser uma ótima alternativa para quem tem dificuldades em acompanhar as legendas, “a dublagem acaba sendo uma facilitadora às pessoas que não tem contato com outros idiomas e querem descobrir novas culturas sem sair da sua língua materna”. Essa é a visão do estudante de Odontologia, Gabriel Victor, 21. Entusiasta da técnica desde criança, ele consome a arte principalmente nos jogos. Para Gabriel, a dublagem também traz muitas memórias afetivas. “Quando eu era pequeno ficava tentando imitar as vozes dos meus personagens favoritos, especialmente nos desenhos, são lembranças que me fazem muito bem”, relata.

A paixão do futuro dentista pelos personagens e pela dublagem é fruto de um trabalho impecável de muitos atores, que, por vezes, acabam sendo restringidos ao anonimato. Para contornar essa realidade existem projetos como o Dublapédia Brasil, um perfil das redes sociais que busca dar memória e valor a esses profissionais da arte.

Assim, a dublagem é muito mais que uma simples técnica, ela faz parte das nossas memórias, torna as produções mais acessíveis e, particularmente no Brasil, possui uma fonte inesgotável de qualidade. Portanto, ainda que você não consuma produções dubladas, o que não tem problema algum, reflita um pouco sobre essa arte que faz toda uma diferença e respira através de profissionais dignos de todos os nossos aplausos. 

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