04/04/2019 às 10h38min - Atualizada em 04/04/2019 às 10h38min

Construindo vidas: quando o amor pela causa animal se sobrepõe ao abandono

Adrieli Fátima Bonini
Foto: Adrieli Fátima Bonini
Em meio a pedaços de madeira, latas de tinta e materiais de construção, encontra-se o seu Antonio, um ativista da causa animal que constrói casinhas que serão destinadas aos animais de rua. O trabalho de construção acontece em um pequeno local, ao lado de sua residência, no bairro Luís Fogliato, no município de Ijuí, noroeste gaúcho.

Os cães são os melhores amigos do homem, depositam todo seu amor, lealdade e carinho, mas o homem é o que do animal? Certas pessoas os tratam como simples brinquedos, onde são descartados quando não “servirem” mais. A Organização Mundial da Saúde estima que só no Brasil existem mais de 30 milhões de animais abandonados, entre 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. No interior, em cidades menores, a situação não é muito diferente. Em muitos casos o número chega a 1/4 da população humana.    Na cidade de Ijuí (RS), os dados não mudam muito, há cerca de seis mil cachorros passando frio, fome e medo nas ruas. E foi por este motivo que o Antonio decidiu há mais de quatro anos se juntar a causa animal e fazer o bem aos que não têm voz. Ao ver centenas de cães abandonados pelas ruas da cidade, Antonio decidiu que deveria fazer algo para mudar a situação dos animaizinhos. Dessa maneira, ele decidiu iniciar prestando serviço voluntário sem vinculação com entidades aos que padecem. Iniciou o projeto na cooperação com doações de madeira pallets, entretanto, a mesma não se tornou viável e atualmente ele dispõe de recurso próprio para a compra de madeiras, no qual, segundo ele, a produção de construção das casinhas torna-se mais rápida.

Conforme Antonio, após a compra do material que será utilizado na fabricação das casinhas, é feito os cortes das madeiras e o forro que será utilizado no teto, ambos são de acordo com cada medida do cão, sendo P (pequeno), M (médio), e G (grande). Os cortes são feitos em escala industrial e cortado em grande quantidade para logo após montar as peças, sendo essas, pregadas individualmente, primeiramente as laterais, em seguida a frente e por fim o fundo. Na sequência é feita a montagem das quatro peças. Por conseguinte, é utilizado mata-juntas para aplicar o suporte em lona de banners no telhado. No soalho da casinha, é usado material reciclável, como armários velhos. Por fim, ocorre a pintura das casinhas e a aplicação de moldes em formato de patas de cães.

Conforme o ativista, ele começou a ganhar visibilidade na cidade na ação dos projetos da causa animal através de publicações no Facebook onde os ijuienses passaram a conhecer mais do seu trabalho. Antonio resgata os cães de rua e em seguida inicia uma campanha via Facebook para encontrar um adotante responsável. Depois que o animal é adotado, ele ganha uma casinha construída pelo ativista. Já os cães que permanecem na rua, Antonio espalha em pontos específicos da cidade, onde há um número maior de animais, casinhas e bebedouros feitos à mão. As pessoas, por meio de uma ação comunitária alimentam esses animaizinhos até que eles possam encontrar um lar e receber todo o amor que antes foi lhe ignorado.

Devido ao grande número de animais nas ruas, o ativista decidiu ir mais longe, atualmente é suplente de vereador e atua pela causa animal contando com um projeto juntamente com a Coordenadoria de Proteção Animal de Ijuí, onde estão em busca da concretização de salas de castração para que haja uma diminuição dos animais nas ruas.

Para ele, a causa animal representa todo o seu trabalho, todo o seu esforço para fazer o bem a quem um dia foi abandonado, deixado na rua, a quem foi ignorado todo o amor e amizade. Conforme ele, anteriormente ele dispunha de recursos materiais e financeiros para a construção de um hotel de passagem ao lado de sua residência, no entanto, segundo ele, o projeto, por enquanto não se concretizou, pois ele e seus filhos precisavam de uma boa casa para morar. Antonio ainda ressalta, que este sonho está longe de acabar. Atualmente, ele deu início a um projeto de inverno, no qual, há um aumento significativo na produção das casinhas, onde as mesmas serão destinadas exclusivamente aos animais que estão na rua, para que fiquem protegidos do frio intenso característico da temporada.

Talvez o homem seja o único ser que invada o território do outro. Que agrida sem ser ameaçado. Que abandona sem ter motivo. Que maltrata sem justificativa. Antonio, continuará a construir suas casinhas, a tirar animais das ruas, a dar a eles, através de um adotante, todo o amor, lealdade, amizade, que um dia foi lhes ignorado. E é por pessoas como essa, que lutam por uma causa, que fazem o bem a quem não têm voz, que nossa esperança diante da humanidade não se esvai completamente.
 
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