19/03/2021 às 14h14min - Atualizada em 19/03/2021 às 13h54min

Descarte inadequado de EPI 's no mar aumenta na pandemia e preocupa especialistas

Foram lançados por mês no oceano 129 bilhões de máscaras descartáveis e 65 bilhões de luvas plásticas, aponta pesquisa

Daiane Obolari - Editado por Ana Paula Cardoso
REUTERS
Em 2020, o mundo começou a enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Por se tratar de uma doença altamente transmissível pelo ar, foram necessários o aumento do uso de equipamentos de proteção individual - Os EPI 's - pelas pessoas que estão na linha de frente do combate e de toda a sociedade. Consequentemente, quanto mais pessoas utilizarem esses equipamentos, mais serão produzidos e, mais serão descartados.  
 
Em nível global, os números são exorbitantes. Somente nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico foram lançados ao mar por mês 129 bilhões de máscaras descartáveis e 65 bilhões de luvas plásticas, segundo uma pesquisa divulgada pela ONG Ocean Conservancy. Aliás, esses materiais, ainda se encontram com o tempo indeterminado de decomposição.
 
Além desses equipamentos, é necessário lembrar que, mais de 8 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma clandestina também nos oceanos anualmente, de acordo com a organização World Wildlife Fund (WWF). O que determina a projeção de que até o ano de 2050 existirão mais lixo do que peixes no mar. 
 
Para a bióloga Fernanda Vilete, um dos principais problemas gerados é a inserção desses microplásticos cheios de toxinas na cadeia alimentar humana. “O peixe, por exemplo, ingere essas toxinas e posteriormente somos nós que ingerimos os peixes. Então, além do aumento das mortes dos animais marinhos, estamos entrando em uma onda de intoxicação generalizada.”
 
O impacto causado no mundo inteiro pela pandemia, no âmbito do lixo gerado, não se aplica somente ao descarte irregular, mas somado ao fato desses materiais já estarem infectados. Fernanda ressalta que: “As máscaras, luvas, tudo que usamos, para nos proteger, descartados nesses locais, irão acabar contaminando. Não só os animais, e todo o ambiente, como também novas pessoas, em razão daqueles que precisam ter contato com o meio nessas áreas.”
 
A preocupação dos especialistas em relação a previsão para o ano de 2050, é de que, se houver mais lixo do que outros animais no mar, simplesmente não haverá vida nesses ambientes - isso se aplica a todo tipo de vida marinha - e raramente em nenhum outro, o que afetará todo o ecossistema global.
 
“Além de toda a contaminação que o lixo traz para o ambiente marinho, faltarão alimentos para a cadeia alimentar, ou, os alimentos que restarem, estarão contaminados. De toda forma a vida estará ameaçada, em todos os ecossistemas da terra”, explica a bióloga.
 
Colaboração humana

Entre as ações que podem ser realizadas pela sociedade para evitar uma possível catástrofe ambiental daqui alguns anos,
Fernanda explica que: “Ao retirar máscaras, luvas, entre outros EPI 's usados no dia a dia, é necessário que estes sejam depositados imediatamente em um saco plástico. Quando o saco estiver com 2/3 de sua capacidade, deve ser fechado e colocado dentro de um outro saco mais resistente. É necessário identificar o saco indicando que se tratam de materiais usados. Após o acondicionamento correto, eles devem ser depositados junto aos resíduos que irão ser destinados aos aterros sanitários, para evitar que coletores de recicláveis tenham contato com eles e possam se contaminar.

A maioria desses materiais são de uso hospitalar, ou seja, cabe aos governos dos países realizarem a monitoração do descarte correto dos EPI 's ao redor do mundo.


 

Referências:
FADDUL, J. Mais de 120 bilhões de máscaras são descartadas por mês nos oceanos. CNN BRASIL. 29 de dez. de 2020. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/2020/12/29/mais-de-120-bilhoes-de-mascaras-sao-descartadas-por-mes-nos-oceanos> Acesso em: 19 de mar. de 2021

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