26/09/2021 às 18h08min - Atualizada em 23/07/2021 às 14h47min

Entenda a apropriação cultural do lenço palestino Keffiyeh por parte da Fendi e Louis Vuitton

Em meio ao caos presenciado entre Palestina e Israel, a Louis Vuitton e Fendi são acusadas de apropriação cultural inspirados no tradicional lenço palestino Keffiyeh

Keilla Lima - Editado por Flávia Pereira
Foto: Diet Prada | Reprodução/INSTAGRAM
Quando se trata da utilização e viabilização de uma cultura no contexto da moda, a implementação dela em peças deve e precisa ser estudada. Apesar de o conceito da moda ser cíclico, à medida que formas culturais são apresentadas, a importância delas deve ser lembrada. O tópico preciso que envolve as marcas Louis Vuitton e Fendi, não é o primeiro caso aparente do mundo da moda e até que medidas sejam tomadas não será o último.

A manifestação de uma tradição cultural deve ser representa de forma cuidadosa, e apesar da moda ser uma implementação dessas manifestações, nem todas devem ser apresentadas como comercialização. Essa é a questão que envolve o Keffiyeh, tradicional lenço Palestino.
 
LOUIS VUITTON
 
A polemica envolvendo a marca, foi vista como ato político. Desde que houve uma troca pela estampa utilizada, pois o lenço tradicional é preto e branco, o apresentado pela grife possui as cores da bandeira de Israel, azul e branco. Considerado como algo perigoso, atualmente os dois países estão em conflitos por disputas territoriais, sendo que a Palestina luta para se tornar um estado independente.

Veja mais sobre esta história: Israel e Palestina: Entenda a origem do conflito.

Até o momento nenhuma declaração sobre o caso foi apresentada pela empresa, a medida utilizada foi apenas retirar o item do site.
 


 
FENDI
 
Não sendo suficiente apenas uma marca apresentar um item de característica política para uma nação, a Fendi também utilizou do lenço Keffiyeh para comercialização. Apesar das críticas apresentadas, ainda pode-se encontrar o item para compra em site como Farfetch. A empresa não apresentou nenhuma nota sobre o ato, e apenas retirou o item de vendo do site oficial. 
 




Em contato com Fernanda de Melo, Pesquisadora em Segurança Internacional na Palestina e Iêmen. Ela cita sobre a comercialização e influência de uma tradição cultural:
 

“Abordagem no  aspecto de que empresas multimilionárias da moda lucram em cima da opressão de um povo. Isso porque o Keffiyeh e até mesmo outros acessórios culturais do povo palestino, como itens que expressam sua crença muçulmana, são alvos diretos de violência cultural e estrutural contra os palestinos pelo Estado de Israel."

 
Ao ser questionada sobre o significado cultural do Keffiyeh para a população Palestina, a pesquisadora acrescenta:
 

“ Hoje em dia  uso do Keffiyeh se tornou também um símbolo de resistência na Palestina e é vestido por quem queira sinalizar solidariedade a luta do povo palestino. Ou seja, não se trata simplesmente de um aspecto sociocultural, mas de uma reafirmação política.”

 
A retirada dos itens de venda dos sites oficiais sem uma nota se desculpando, entende-se como uma desigualdade das classes apresentadas, pois apesar do assunto repercutir apenas no mundo da moda, as empresas entendem que existe uma liberdade que possuem para que não exija uma explicação concreta, desde que a manipulação das redes a favoreça, não importa se uma nação está ofendida. Acrescentemos citação abordada por Fernanda de Melo, onde a mesma exemplifica a comercialização de um cultura.
 

“É um posicionamento da lógica de produção do capital: enxergar um símbolo cultural de um povo oprimido como um item vazio, sem história ou representação que tem como fim único na indústria a geração do lucro. Primeiramente, a loja estava cobrando U$705 por cada lenço, nem um centavo do que fosse arrecadado seria doado para organizações não-governamentais palestinas ou para a comunidade palestina local, para a causa, no geral.”
 

Hoje o maior produtor do lenço Keffiyeh é a China, e apesar das mudanças históricas a Hirbawi Textile Factory que se descreve como a última e única Fábrica de Keffiyeh dos Territórios Palestinos, apelidou o lenço de “a bandeira Palestina não oficial.”
 
 
 
 
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