07/09/2021 às 17h40min - Atualizada em 07/09/2021 às 13h55min

Empresas brasileiras na bolsa americana

O mercado de ações americano vem atraindo cada vez mais as empresas brasileiras ultimamente

Leonardo Leão - Editado por Ynara Mattos
Nasdaq

 Não são apenas as pessoas que estão partindo do Brasil em direção aos Estados Unidos em busca de mais oportunidades. Muitas empresas também estão seguindo esse caminho, o número de IPOs (Oferta Pública Inicial, sigla em inglês) de empresas brasileiras no mercado americano vem crescendo ultimamente. Nomes como PagSeguro, Stone, XP Inc. e Zenvia são alguns dos exemplos desse fenômeno.

 O mercado americano de ações é o maior do planeta, com um valor de US$ 50 trilhões. O economista e estrategista chefe da Avenue, William Castro Alves, explica que o fato de ser o maior do mundo, do dinheiro estar, basicamente, concentrado nos EUA e a possibilidade de levantar recursos em uma moeda forte, como o dólar, de maneira mais rápida e acessível, faz com que algumas empresas brasileiras tomem a decisão de ingressar nesse mercado.

 Ele também destaca o fator cambial, a diferença entre o dólar e o real, “R$ 100 milhões hoje são menos de US$ 20 milhões, o que não é um “big money” para a realidade dos Estados Unidos”, afirma. Outro ponto citado pelo economista, foi a existência de muitos venture capital e private equity com dinheiro disponível para investir em boas ideias e em bons investimentos, possibilitando o acesso ao dinheiro.

 
  Nos últimos cinco anos 13 empresas brasileiras fizeram IPO nas bolsas de valores americanas, só neste ano foram quatro e muitas outras já estão de “malas prontas". A PagSeguro foi uma das primeiras e levantou cerca de US$ 2,27 bilhões em 2018, essa foi a maior abertura de capital de uma empresa brasileira nos EUA. Suas ações estão disponíveis também na B3 através de BDRs (Brazilian Depositary Receipts, sigla em inglês).

 No mês de janeiro deste ano as gestoras de private equity Vinci e Pátria levantaram ao menos US$ 250 milhões e US$ 625 milhões, respectivamente, em suas ofertas públicas iniciais na NASDAQ. Em julho outras duas empresas também se lançaram na bolsa americana. A plataforma de software de comércio eletrônico VTEX captou US$ 361 milhões, superando suas expectativas. Já a startup Zenvia obteve US$ 200 milhões em IPO e operação paralela.

 Esse assunto ainda é cheio de especulações, empresas como Nubank, Hotmart e Elo tem sempre os seus nomes citados como as próximas a fazerem essa transição, porém nada foi confirmado até agora. Mas também temos casos de empresas que já declararam seus planos de entrar no mercado americano como o banco Inter e a varejista Americanas.


Para William Castro o principal benefício de ingressar na bolsa americana está na melhora da governança corporativa, afinal, essa é uma questão muito séria nos Estados Unidos, o respeito às regras e instituições. Se a empresa quiser fazer parte desse mercado ela deve elevar seu nível de qualidade para conseguir atender os padrões globais e, consequentemente, captar dinheiro.

 Outro ponto levantado por ele é que o valuation das empresas nos EUA difere do Brasil, lá é possível fazer uma avaliação melhor. Portanto, elas passam a valer mais no mercado americano, porque todos conhecem e sabem como as regras funcionam.

 Entrar na bolsa de valores americana tem suas vantagens e também desafios. É um mundo de oportunidades para quem pretende crescer no mercado internacional, mas também é um ambiente desafiador, com diversas multinacionais disputando por espaço.

 O estrategista chefe da Avenue considera essa migração de empresas brasileiras uma evolução normal. Ele ressalta que as empresas maiores conseguem acessar capital nos EUA, porque tem alguns custos como de emissão, advogado, bancos de avaliação financeira, dentre outros.

 William destaca que o ideal para o Brasil seria se fosse possível levantar capital no país. Mas, segundo ele, a atividade empreendedora no Brasil vem sendo tolhida, através de dificuldades na questão tributária, operação e de regulação. Tudo isso acaba resultando nessa migração de empresas que é algo negativo para o país.

 A diferença entre a B3 e as principais bolsas dos Estados Unidos, como NASDAQ e NYSE (New York Stock Exchange), é obviamente grande. Apesar do crescente número de IPOs, a bolsa nacional vem sofrendo com as questões políticas e econômicas que interferem no sentimento do mercado.

 Mas o Brasil já começa a ter planos para tornar o mercado nacional mais atrativo para as empresas. Um desses planos é a Medida Provisória 1.040, que trata da modernização do ambiente de negócios no Brasil, aprovada na Câmara dos Deputados e prestes a ser votada no Senado.

 Na visão do economista William Castro, deve ser feito uma legislação pro-business que incentive a atividade empreendedora e o mercado de capitais. Ele lembra que algumas medidas já foram tomadas, mas em sua opinião, ainda são muito tímidas.

 Para William não adianta ser só o mercado de capital, só a B3 fazer isso. Está faltando um incentivo maior, de forma geral, no Brasil. Isso vale para diversas esferas, como de regulação, tributação, mercado de capitais e também de educação, em última instância, para formar pessoas qualificadas.


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